Entrevista

Banda paraibana volta a Mossoró para novo show em setembro, agora referente ao novo disco “Obsoleto”, que mistura rock, baião, samba rock nordestino e funk; Seu Pereira falou, em entrevista ao BDD, sobre o novo disco, o novo show e a cena da Paraíba

Por: William Robson e Jean Lone

Foi numa sexta-feira chuvosa de maio em Mossoró que a banda Seu Pereira e Coletivo 401 lotou a extinta Cervejaria Cabocla. Mais de 700 pagantes testemunharam o grupo que estava divulgando seus principais sucessos e músicas que integram o disco “Eu Não Sou Boa Influência Pra Você”. Após oito anos com o show referente a este disco, Seu Pereira traz o aguardado lançamento de seu terceiro álbum de estúdio, “Obsoleto”, também lançado em maio.

A banda formada por Jonathas Pereira Falcão (cantor e compositor), Thiago Sombra (baixo), Chico Correa (guitarras) e Victor Ramalho (bateria) vive momento efervescente no rock paraibano. “O grupo surgiu da união de amigos que compartilhavam um transporte coletivo em comum, o ônibus 401, que cruza a capital paraibana até o bairro Altiplano”, explicou o líder do grupo, que volta a Mossoró para novo show em setembro, agora referente ao novo disco. O show vai acontecer no dia 5 no Clube Carcará (Avenida Cunha da Mota, 117-161) e os ingressos estão à venda pelo Sympla.

O disco “Obsoleto” traz um som mais orgânico e maduro, flertando com o retrô, mantendo a sonoridade e a identidade do grupo, que mistura rock, baião, samba rock nordestino e funk paraibano em um som único.

Seu Pereira falou, em entrevista ao BDD, sobre o novo disco, o novo show, a cena paraibana e o que significa ser “obsoleto” nos dias atuais.

 

BOLSA DE DISCOS – Fale um pouco sobre esse novo disco que acaba de ser lançado. Como foi todo o processo?

SEU PEREIRA – Esse disco estava bem atrasado, na verdade, porque a gente ia começar a gravar em 2020. O novo disco ia sair em 2020, cinco anos atrás. Só que rolou o lance da pandemia, acabou atrapalhando o processo. Nesses três últimos anos muitas coisas mudaram em relação à ideia inicial de 2020. Outras canções foram nascendo, inclusive “Obsoleto”, que é a canção que dá título ao disco. Eu brinco com essa história mesmo de que você, quando percebe, quem nasceu no ano de 77, quem nasceu nos anos 70, 80, sabe que muitas coisas ficaram obsoletas.

 

BDD – Como assim?

SEU PEREIRA – O orelhão, mais recentemente o DVD, por exemplo…  Eu estava olhando para os DVDs na estante, pensando onde é que eu vou assistir. Não tem, nem vende mais. Então, muitas coisas aí eu comecei a brincar em relação a isso. Aí eu vejo que não é mais uma sofrência amorosa em relação à questão de relacionamento, é uma sofrência existencialista, de você se sentir obsoleto.

 

BDD – Falando nisso, a banda, o Seu Pereira e Coletivo 401, já lançou mídia física, inclusive do disco anterior. E esse também vai ganhar uma versão física? Por que esta opção?

SEU PEREIRA – Com certeza a gente vai fazer o vinil, sim, é uma procura. É uma forma de ter uma renda bacana, porque a galera paga bem, paga caro. O streaming não paga nada. O streaming é bem mais complicado. Mas é uma nova realidade também. A gente também recebe um [dinheiro]… Para o artista dependente conseguir sobreviver de streaming é desafiador, mas ajuda um pouco a complementar. Mas a ideia é sim, fazer vinil, a mídia física, não só desse novo, fazer novamente do anterior, “Eu Não Sou Boa Influência pra Você” e também do primeiro disco. A ideia é a gente fazer em algum momento…

 

BDD – Lembro que o primeiro saiu em CD, né? E como é que você vê esse lance da questão do autoral no Nordeste, pegando essas cidades do interior, a receptividade da galera, em cidades como Mossoró, Campina Grande…

SEU PEREIRA – Cara, isso é segurança, né? Eu vejo como uma segurança. Para a gente que optou por se manter no Nordeste, a gente escolheu por ficar por aqui. Vocês percebem que existe esse mercado no Nordeste e assim nas cidades do interior, nos abraçando como hoje. Tivemos pela primeira vez em Mossoró [em maio deste ano], a gente ficou surpreso com lotação da casa. Então, você fazer um show em Mossoró, numa sexta-feira chuvosa, e botar 500 pessoas numa casa… O mesmo ocorreu em Natal, era uma quinta-feira, a gente botou  300 pessoas.

 

BDD – Um respeito pelo som independente, né?

SEU PEREIRA – Isso mostra uma certa segurança para a gente, como artista independente, saber que pode ficar no seu lugar sem ter que ir para os grandes centros.

 

BDD – Aproveitando também essa deixa do Jean Lone, como tem visto essas bandas paraibanas que estão se destacando, não falo somente do Seu Pereira, mas também uma outra de João Pessoa, Papangu, por exemplo. Como você vê este renascimento ou força das bandas alternativas no rock também na Paraíba?

SEU PEREIRA – Com certeza, com certeza. É o lance da insistência, né? Tem que insistir, não desistir. Então o Papangu é exemplo disso. A gente tem outras bandas lá que estão na luta também. A Banda Forra é uma banda muito bacana. Fiquei sabendo recentemente… A Val Donato…  Fiquei sabendo recentemente que a Cabruêra vai ter uma música agora numa série… Então sim, é isso. É você insistir ali. Resistir, na verdade.

O vocalista Jonathas Pereira Falcão, o Seu Pereira, após a entrevista concedida ao músico Jean Lone e ao jornalista William Robson, do BDD

BDD – Sim. Resistir é… É isso. E a gente sabe que é interessante ter esse contato com vocês que já vêm na estrada, que já estão na estrada. Então ouvir isso em plenos dias de hoje, onde a música é vista muito líquida, né? E vocês seguem em turnê.  Fale um pouco sobre essa turnê. O que ela tem de especial, e se é mais voltado a esse novo disco.

SEU PEREIRA – É uma mescla de todos. E as cidades… As cidades escolhidas também. Quando você não é artista independente e tem uma gravadora cuidando de tudo, a gente estaria parado, esperando o disco ser lançado para começar a fazer a turnê. Nesse caso, a gente se despediu do show antigo e desde junho, começamos a turnê do novo.  A gente também canta canções do disco novo.

 

BDD – Está aproveitando então os shows para experimentar as canções novas?

SEU PEREIRA – Tipo isso, na última turnê, a gente tocou umas três ou quatro [do disco novo]. Agora, certamente, vamos tocar mais.