Roger Waters criticou duramente James Hetfield após declarações do vocalista e guitarrista do Metallica sobre a relação entre música e política. O episódio ocorreu depois de uma apresentação da banda no último sábado (10), durante a residência Life Burns Faster, no Sphere, em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Na ocasião, Hetfield afirmou que o Metallica não sobe ao palco com o objetivo de influenciar politicamente o público. Segundo o músico, a intenção é proporcionar uma experiência em que os espectadores possam esquecer, por algumas horas, o que acontece fora do show.
A declaração repercutiu nas redes sociais e chegou a Waters, conhecido por seu ativismo político e por manifestações públicas sobre conflitos internacionais e questões sociais. Em conversa com a apresentadora e comentarista Katie Halper, o ex-integrante do Pink Floyd reagiu com insultos ao líder do Metallica. A transcrição foi publicada pelo site Far Out Magazine.
“Podemos parar de falar desse babaca? Estou muito entediado com ele”, declarou Waters, antes de questionar a inteligência de Hetfield e afirmar que não entendia por que o assunto recebia atenção.
Waters também associou a postura de Hetfield à falta de orientação pessoal durante a infância. Em sua avaliação, o vocalista deveria ter contado com alguém que lhe ensinasse a importância da gentileza.
“É uma pena que esse babaca não tenha tido alguém por perto para explicar que ser gentil é muito mais importante do que toda aquela música alta, aqueles pulos e seja lá o que for”, afirmou.
O músico britânico ampliou as críticas ao questionar as habilidades instrumentais dos integrantes do Metallica. Segundo Waters, ele já teria ouvido a banda tocando instrumentos acústicos e considerado o resultado insatisfatório. Ele também afirmou não se importar com o grupo, apesar do sucesso comercial e da fortuna atribuída a Hetfield.
As declarações foram além de uma divergência sobre o papel político dos artistas e incluíram ataques pessoais e avaliações negativas sobre a capacidade musical da banda.
Duas visões sobre o papel da música
O episódio evidencia perspectivas distintas sobre a relação entre música e posicionamento político. Enquanto Hetfield defendeu a ideia de que os shows do Metallica devem oferecer ao público um espaço de desconexão das tensões externas, Waters construiu parte de sua trajetória artística associando suas composições e apresentações a críticas políticas e sociais.
A postura de Waters tem raízes em seu trabalho com o Pink Floyd, especialmente em álbuns como The Wall (1979) e Animals (1977), além de sua carreira solo. Hetfield, por sua vez, enfatizou que o objetivo da apresentação do Metallica não é direcionar politicamente a plateia.
A troca de declarações reacendeu o debate sobre se artistas devem utilizar o palco para defender posições políticas ou se a música também pode funcionar como um espaço de entretenimento e afastamento temporário das preocupações cotidianas.
