O ano era 1986 e eu tinha nove anos. Naquela época, me deparei com meu pai chegando em casa com alguns discos que acabara de comprar. Curioso, fui olhar e um deles logo me chamou a atenção pela capa com o desenho de um muro e nome grifado como em uma pichação.
Logo coloquei pra tocar e, de cara, estranhei o fato de ouvir um som baixinho, uma camada de melodia que me levou a pensar, inocentemente, que o aparelho três em um apresentava algum defeito. Foi então que aumentei o volume até a metade da potência do som, quando fui tomado por um riff poderoso, imponente e extremamente tenso da música “In The Flesh?”. Nunca vou esquecer o arrepio que senti.
Aproveito este espaço no BOLSA DE DISCOS para contar esta história para também homenagear os 80 anos de George Roger Waters, celebrados nesta quarta-feira (6). Filho de Mary Waters e Eric Fletcher Waters, nascido em Gildford, Inglaterra, perdeu seu pai na segunda guerra ainda aos cinco meses de vida, o que levou sua mãe a se mudar para cidade de Cambridge, onde anos depois, se juntaria a Syd Barret, Nick Mason e Richard Wright para formarem a Sigma Six e posteriormente o Pink Floyd.
O gênio de personalidade forte e língua afiada sempre abordou em suas composições temas políticos, filosóficos, existencialistas, além de uma harmonia quase sempre melancólica que lhe rendeu o apelido de “o homem mais triste do rock”.
Deixou a banda em 1985 onde deu início a uma disputa jurídica pelos direitos ao nome e pelo material, processo que se entendeu até 1987, quando a banda lançou seu primeiro disco sem seu principal letrista, “O A Momentary Laps of Reason”.
Em 2005 ele voltaria a se reunir com seus ex-companheiros no lendário Live 8. Evento idealizado e produzido por Sir Bob Geldof, protagonista da personagem “Pink” no icônico filme “The Wall”, dirigindo por ninguém menos que Alan Parker.
Além de obras magníficas como “The Dark Side of the Moon”, “Wish you Where Here”, “Animals” e “The Wall”, Roger lançou cinco álbuns em carreira solo:
Music From the Body (1970)
The Pros and Cons of Hitch Hiking (1984)
Rádio K.A.O.S (1978)
Amused tô Death (1992)
Is This Life We Want? (2017)
E neste momento em que ele celebra 80 anos, digo: “Floydiar é preciso”.
