Especial

Realizada em 1º de novembro de 2006, segunda edição do festival reuniu bandas da cena potiguar, teve o Biquíni Cavadão como atração principal e ajudou a dar visibilidade à produção independente. Lançado naquele período, o CD “O Som da Cidade – Vol. II” preservou parte da memória musical daquela geração

Por: Redação

Imagem: A banda Alfredo e os Caras, durante apresentação no Rock Grande do Norte, em 2006 (Divulgação)

Há 20 anos, Mossoró vivia um momento de movimentação importante para o rock autoral. Em 1º de novembro de 2006, véspera de feriado, a antiga casa de eventos Ôba Show recebeu a segunda edição do Rock Grande do Norte, festival que reuniu artistas locais e regionais em uma estrutura de grande porte para os padrões da cena independente da época.

Com dois palcos e uma tenda eletrônica, o evento teve como principal atração o Biquíni Cavadão, um dos nomes conhecidos do rock nacional. Mas a programação também abriu espaço para bandas que construíam suas trajetórias no circuito potiguar: Alfredo e Os Caras, Terminal 5, MR 8, Arcanjos, Inattentive, Aedo e Parole. Na tenda eletrônica, os DJs Balinha e Lenilton Jr. completaram a programação.

“Mais do que trazer uma atração nacional para Mossoró, o Rock Grande do Norte representou uma oportunidade de projeção para grupos que trabalhavam com repertório próprio e buscavam espaço para apresentar suas composições. Em um período no qual a circulação da música independente dependia muito de shows, CDs físicos e divulgação alternativa, festivais desse porte tinham papel fundamental para aproximar bandas, público e produtores”, explicou Assis Neto, idealizador do festival e do disco, em conversa com o BDD.

Um retrato da cena independente em CD

A memória daquela edição também está ligada a outro registro importante: a coletânea O Som da Cidade – Vol. II. Lançado como uma espécie de aquecimento para o festival, o CD reuniu seis bandas que integravam o cenário autoral de Mossoró naquele momento: Arcanjos, Alfredo & Os Caras, Terminal 5, MR 8, Aedo e Inattentive.

O cartaz do evento

O disco funcionou como uma vitrine para a produção local. Ao reunir diferentes grupos em um mesmo lançamento, o projeto ofereceu ao público a possibilidade de conhecer as composições que circulavam nos ensaios, apresentações e espaços alternativos da cidade. Também permitiu que aquela produção ultrapassasse os limites dos palcos e ganhasse um registro físico, preservando músicas e nomes que ajudaram a movimentar a cena.

A capa e contracapa do disco “O Som da Cidade – Volume II” (Divulgação)

A relação entre a coletânea e o festival é especialmente significativa. As bandas presentes no CD também tiveram espaço na programação do Rock Grande do Norte, dividindo a noite com o Biquíni Cavadão. Assim, o lançamento fonográfico e o evento se complementaram: enquanto o festival proporcionava visibilidade ao vivo, o álbum materializava em áudio parte do que estava sendo produzido naquele período.

Duas décadas depois, O Som da Cidade – Vol. II ganha valor que vai além de sua função original. O CD físico, com sua capa, contracapa e identificação dos grupos participantes, tornou-se uma recordação de uma fase específica da música independente mossoroense.

Em tempos nos quais a produção musical circulava principalmente por mídias físicas e apresentações presenciais, iniciativas como essa tinham importância documental. Eram formas de registrar trabalhos autorais, reunir artistas em torno de um projeto comum e construir referências para quem acompanhava o rock produzido na cidade.

O Rock Grande do Norte, por sua vez, permanece como uma lembrança de um período em que a cena local buscava ampliar seus espaços e estabelecer conexões com o circuito nacional. Ao colocar bandas mossoroenses na mesma programação de um grupo de projeção nacional, o festival ajudou a fortalecer a percepção de que havia produção autoral relevante sendo desenvolvida na região.

Celebrar os 20 anos daquela edição é também revisitar os músicos, produtores, espaços e iniciativas que contribuíram para a história do rock em Mossoró. E, nesse resgate, O Som da Cidade – Vol. II ocupa um lugar especial: um registro físico de uma geração que encontrou na música independente uma maneira de expressar sua identidade e deixar sua marca na história cultural da cidade.