Álbum-tributo

“Pure Bossa Remixes – Roberto Menescal” reúne seis DJs e produtores em releituras contemporâneas da obra do compositor, antecipando as comemorações por seus 90 anos, em 2027

Por: Redação

A obra de Roberto Menescal, um dos nomes fundamentais da bossa nova, ganha novas interpretações com o lançamento de Pure Bossa Remixes – Roberto Menescal. Apresentado pela Universal Music Brasil, o álbum reúne seis faixas assinadas por DJs e produtores de diferentes vertentes da música eletrônica, em um projeto que aproxima o repertório do compositor das pistas de dança contemporâneas.

Com produção executiva de Béco Dranoff e Patty Ascher, o disco antecipa as celebrações pelos 90 anos de Menescal, que serão completados em 25 de novembro de 2027. A proposta é revisitar sua obra sem abandonar as características melódicas e harmônicas que ajudaram a estabelecer a identidade da bossa nova.

Compositor, violonista e produtor musical, Menescal integrou a geração que transformou a música brasileira a partir do final dos anos 1950. Ao lado de artistas como João Gilberto, Tom Jobim, Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, participou da construção de um movimento que ultrapassou as fronteiras nacionais e influenciou músicos de diferentes países.

Em Pure Bossa Remixes, esse legado encontra novas possibilidades sonoras. As releituras incorporam referências de house, jazz, soul, funk, afro house e drum’n’bass, entre outras linguagens, mantendo o diálogo com a essência da composição original.

O álbum reúne DJ Marlboro, Gui Boratto, Tata Ogan, Diogo Strausz, DJ Spinna e Nicola Conte. Cada artista parte de sua própria experiência para reinterpretar a obra de Menescal, criando conexões entre a tradição brasileira e a produção eletrônica atual.

Pioneiro do funk carioca, DJ Marlboro representa o encontro entre a bossa nova e uma das expressões mais importantes da música urbana brasileira. Gui Boratto, conhecido internacionalmente por seu trabalho na música eletrônica, explora novas possibilidades de melodia, ritmo e atmosfera. Sua participação inclui a faixa “Você”, que conta com a voz de Mariana de Moraes, neta do poeta Vinicius de Moraes.

Tata Ogan acrescenta novas texturas eletrônicas à sonoridade brasileira, enquanto Diogo Strausz apresenta uma abordagem contemporânea que aproxima elementos clássicos da linguagem das pistas. DJ Spinna, com sua trajetória entre hip-hop, house, soul e jazz, contribui com referências da cultura internacional dos DJs. Já o italiano Nicola Conte, ligado ao jazz, à bossa nova e ao acid jazz, reforça a conexão histórica entre a música brasileira e a cena musical europeia.

A diversidade de estilos é parte central da proposta: em vez de reproduzir os arranjos originais, os produtores exploram outras possibilidades para as composições, preservando elementos de sua identidade enquanto introduzem novas camadas rítmicas e instrumentais.

Bossa nova em diálogo com novas gerações

A iniciativa foi idealizada por Patty Ascher, cantora e produtora que mantém uma relação artística com Menescal, e por Béco Dranoff, DJ, produtor e profissional de A&R. O projeto recebeu o apoio da Universal Music Brasil e tem como ponto de partida a disposição do compositor para dialogar com artistas de diferentes gerações.

“Eu estou sem palavras com esse projeto. A criatividade das releituras e a elegância do conceito me pegaram de surpresa”, afirmou Menescal sobre o resultado.

Para Paulo Lima, presidente da Universal Music Brasil, a iniciativa celebra um repertório essencial da música brasileira e abre espaço para novas interpretações. Dranoff, por sua vez, destaca o encontro entre a delicadeza da bossa nova e as possibilidades sonoras da produção contemporânea. Patty Ascher define o álbum como uma forma de atualizar a linguagem do gênero sem perder sua essência.

O lançamento chega acompanhado do visualizer de “Você”, com Roberto Menescal, Gui Boratto e Mariana de Moraes, disponível no YouTube:

Mais do que uma coleção de remixes, Pure Bossa Remixes – Roberto Menescal propõe um encontro entre a tradição da canção brasileira e a cultura eletrônica. Ao levar as composições para novos territórios rítmicos, o projeto reafirma a capacidade da bossa nova de permanecer aberta à experimentação e de inspirar músicos muito além de sua época de origem.