A cultura do DJ é uma cultura periférica que sempre encontrou caminhos para fazer a música acontecer em qualquer lugar. Atualmente, a partir de um home studio, a quebrada produz qualidade e diversão para milhões. O festival Favela Sounds celebra essa tradição de autonomia cultural das periferias com a ocupação do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB) com o projeto Resenha Favela Sounds, que acontece dia 19 de setembro (sábado). Pela primeira vez em sua história, o CCBB apresenta uma programação madrugada adentro, das 22h às 05h da manhã. O evento tem entrada franca e a retirada de ingressos será aberta no dia anterior (18/09), através das bilheterias online e física do CCBB.
Resenha Favela Sounds surge em formato pocket, para 3.000 pessoas. O evento sintetiza uma pesquisa sobre como as pontes ancestrais entre o Brasil e o continente africano reverberam na produção musical eletrônica da cultura urbana e das pistas de dança. Vale lembrar que o Favela Sounds investiga as confluências das diásporas africanas na música periférica brasileira desde sua fundação, em 2016.
Esta primeira edição reúne representantes do Kuduro, Afro House, Techno, Pop Punk Experimental, Tribal House, Vogue/Ballroom, Amapiano e, como não poderia faltar, o Funk em suas mais recentes vertentes, do Bolha ao Submundo. A proposta é aproximar as performances do público, trazendo os DJs para bem perto, em um formato mais intimista do que o do festival habitual.
Quem assume a cabine de som: Clementaum (PR), Katy da Voz e as Abusadas (SP), DJ K (SP), Deejay Rifox (Portugal), Faizall Mostrixx (Uganda), Moesha 13 (Mali/França), Umiranda (DF) e SASKIAVIBES (DF).
A programação é encabeçada pela DJ paranaense Clementaum, um dos nomes brasileiros em forte ascensão no circuito internacional da música eletrônica, com passagens pelos palcos de Primavera Sound Barcelona, Unsound Festival Polônia e Sónar Lisboa. Este ano, ela ecoou por todo o Brasil como feat. de um dos hits do Carnaval 2026: “SEQUÊNCIA CUNT”, de Pedro Sampaio. Também conhecida como La Mayor, ela traz para a pista uma mistura de Funk, Techno, Tribal e ritmos eletrônicos latinos.
Do Grajaú, em São Paulo, Katy da Voz e As Abusadas têm dado o tom da nova música LGBT no Brasil, com uma mistura de Funk, Punk, Pop e Música Eletrônica. O trabalho do trio é marcado por deboche e experimentação. A faixa “GORDINHA MAS TÁ BOM” furou a bolha das pistas nos últimos tempos, tornando-se hit na internet.
Também de São Paulo, natural de Diadema, DJ K, O Bruxo, é um dos principais expoentes do Funk Bruxaria, vertente do Mandelão criada por ele e marcada por distorções, graves intensos e pelo característico “tuin”, que usa ruído agudo, estridente e contínuo. Cria do lendário Baile do Helipa, em Heliópolis, ele é referência de uma das sonoridades mais radicais do funk paulista contemporâneo e já se apresentou em festivais como o Dekmantel (Amsterdã) e no Boiler Room Los Angeles. Seu hype começa ao lançar “Pânico no Submundo” (2023), álbum gravado em seu quarto, durante em três dias, e avaliado pelo Pitchfork com nota superior a “Yellow Submarine”, dos Beatles.
Fortalecendo pontes globais, a Resenha traz ao Brasil pela primeira vez o Deejay Rifox, DJ e produtor de Lisboa com origens santomenses (São Tomé e Príncipe), em atividade desde 2015 e um dos grandes nomes da nova geração da música eletrônica na Europa. Seu trabalho mistura Afro House e Kuduro e resulta em produções de grande importância na renovação da música dos subúrbios lisboetas, marcada pelas fortes referências africanas. Em 2024, ganhou projeção com “Rebola Ti Txon”, parceria com sua mãe, Tia Vivix, e com o EP “Capital do Txilo”. Entre outros lançamentos estão o megahit “Tás a Tocar Bwe”, “Maz Sabi” e “Pam Pam Pam”.
Representando a vibrante cena de música eletrônica de Uganda, país situado no coração africano, Faizal Mostrixx retorna ao Favela Sounds depois de impressionar o público em sua apresentação na edição de 10 anos, em julho deste ano. Radicado no Rio de Janeiro, o DJ, produtor, dançarino e coreógrafo mistura polirritmias do Leste Africano com Afro House, Amapiano, Footwork e Eletrônica Futurista em uma sonoridade que define como “Tribal Electronics”. O artista já se apresentou em festivais da importância do Boom Festival (Portugal), Roskilde (Dinamarca) e Womad (Reino Unido).
Moesha 13 amplia o mapa sonoro da Resenha com o seu “gadjicore”, linguagem própria da artista que aproxima Rap Francês, Hardcore Techno, Gabba, Baile Funk, Kuduro, Reggaeton, Dembow e Afrobeat. De origem malinesa e radicada em Marselha, na França, a DJ, produtora, cantora e rapper já passou pelo palco do festival Nyege Nyege, em Uganda, e por um dos espaços mais misteriosos da cena eletrônica global, o clube Berghain, em Berlim. Além disso, ela é DJ residente da rádio britânica NTS, plataforma fundamental para a cultura underground global.

O Distrito Federal também marca presença na programação com UMiranda, DJ que já passou por outras edições do Favela Sounds e agora retorna fazendo o warm-up da Resenha em um set exclusivo, em que apresentará sua pesquisa na música africana, marcada por Amapiano, Kuduro, Afrobeat e Afro House. À frente do Africanize Sessions, projeto que soma milhões de visualizações nas redes sociais, ele já passou por eventos como Afropunk Brasil, Ensaios da Anitta e Festival Na Praia.
Completando o lineup, SASKIAVIBES (também do DF) traz para a pista uma pesquisa centrada no Funk e suas diferentes vertentes, do Mandelão à Bruxaria, atravessadas por Jersey Club, Drum n’ Bass e Vogue. Integrante dos coletivos Incubs Nation e Fluxo, a DJ e produtora já lançou músicas e sets por selos e plataformas da Espanha, Alemanha e Reino Unido e assina trabalhos autorais como Céu Vermelho e Mandelão Experimental.
A curadoria de Guilherme Tavares busca diluir as fronteiras entre países que, apesar de distantes geograficamente, têm culturas musicais de proximidades históricas.
O barateamento dos meios de produção musical, como consequência das novas tecnologias, habilitou uma verdadeira revolução na música de países emergentes, sobretudo a partir dos anos 2000. O resultado é a consolidação da cultura eletrônica como uma linguagem das identidades periféricas que ganham cada dia mais as pistas e multidões mundo afora.
Com apresentação e patrocínio do Banco do Brasil e idealizado pela Um Nome – Agência Criativa, Resenha Favela Sounds é um projeto realizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB), Governo Federal e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, com recursos da Lei de Incentivo à Cultura do DF.
ÔNIBUS GRATUITO E OFICINA TÉCNICA
Tal como no Baile do Favela Sounds, a Resenha oferece rotas gratuitas de ônibus até a festa. Os transportes fazem o leva e traz de 5 RAs (Ceilândia, Samambaia, Planaltina, Gama e Santa Maria), com inscrições prévias para acesso através das redes sociais do Favela Sounds. Também haverá uma linha de ônibus gratuito que liga o CCBB Brasília à Rodoviária do Plano Piloto ao longo de toda a noite.
De forma complementar, uma oficina de montagem de estruturas de eventos é apresentada na GEAMA do Paranoá a um público formado por jovens egressos do sistema socioeducativo do DF, visando a reinserção profissional no mercado criativo. Os participantes terão uma vivência de bastidores, onde poderão colocar em prática os aprendizados das aulas teóricas.
UMA DÉCADA DE FAVELA SOUNDS
A nova ocupação Resenha integra as comemorações de uma década do Favela Sounds, iniciadas em julho e agosto, quando o festival promoveu uma série de atividades em Brasília, culminando na reunião de 25 mil pessoas entre o Favela Talks e o Baile, realizado no Museu Nacional da República. A edição de 10 anos contou com 31 apresentações artísticas, além de debates, showcases, rodadas de negócios, as gravações do podcast Favela Talks e encontros entre artistas e representantes do mercado criativo.
