Imagem: O rapper Carlos Mossoró (Divulgação)
O rapper Carlos Mossoró lançou um feat internacional neste domingo (28). A convite do rapper angolano Clever Mengui, o mossoroense participa da música Desigualdade. O artista Jojo El 2504, que é considerado um nome lendário na Guiné Equatorial, também participa da música.
Confira:
Carlos é artista e acadêmico. O mossoroense estudou sobre o rap de diferentes países falantes de língua portuguesa durante a sua tese de doutorado. Na música, ele mostra essa identidade ao focar seus comentários rimáticos na realidade de Angola, mas trazendo também rimas sobre Guiné Equatorial e até mesmo fazendo críticas mais generalistas que se encaixam em realidades mais universais.
Como o convite foi feito por um artista angolano, ele retrata sobre o governo de Angola em que o presidente local, João Lourenço, assumiu o poder em 2017 depois de 37 anos sem sucessão. Logo que assumiu, Lourenço prometeu mudanças estruturais. Carlos responde: “Em oito anos, já esqueceu o que prometeu em oito dias”, já que a realidade angolana é de desigualdade social, preço alto dos alimentos e gasolina incompatível com o salário do povo.

Carlos termina as suas contribuições falando de Guiné Equatorial e afirmando que o “44 silencia a revolta em fang” e se coloca como “mais um guerreiro contra o Obi”. Trata-se de uma alusão aos 44 anos no poder que o presidente Theodor Obiang permanece na Guiné Equatorial e o mossoroense também fala que o governante silencia os locais, que cantam na língua “fang”.
Jojo El 25 04 confirma o seu perfil de pedir que as pessoas deêm uma atenção para Guiné Equatorial, o único país africano falante do espanhol e que, por isso, acaba por viver em um isolamento. Jojo aproveita o espaço internacional para cantar por uma sociedade livre, que supere a ditadura.

Clever Mengui é o responsável pela obra e canta o refrão, além de contribuir com versos. Mengui aborda “nós somos os undergrounds, as vozes que não se calam” e retrata críticas universais, mostrando que o quadro de desigualdade é vivido nos países dos três artistas, mas que também pode ser ampliada para qualquer país do Globo Terrestre.
O angolano, da cidade de Huambo, fala tanto de pessoas mais próximas do convívio dele, como também da humanidade de forma mais geral, que, segundo ele, toma atitudes que não justificam o motivo pelo qual Cristo se sacrificou para nos salvar.
