Música

Mais do que uma ação isolada, o evento simboliza o crescimento dos estudos do rap nas universidades brasileiras e trazemos exemplos de todo o Brasil

Por: Carlos Guerra Júnior

Imagem destaque: Adalberto Almeida

 

Entre os últimos dia 31 de maio e 01 de junho, a Universidade de Brasília (UnB) recebeu o evento “Conexões Sonoras”, que contou com debates sobre rap com participantes de Angola, Brasil e Moçambique.

Cerca de 400 pessoas acompanharam o evento no Teatro Arena da universidade. Os angolanos Samussuku e Mbonzo Lima, que foram várias vezes presos pelo sistema angolano, devido as suas músicas críticas, participaram presencialmente. A eles se juntaram os brasileiros Denaro, Márcia Marques e o Dj Raffa Santoro. De modo online estiveram o rapper angolano Flagelo Urbano e o rapper IMBLGK de Moçambique.

Mais do que uma ação isolada, o evento simboliza o crescimento dos estudos do rap nas universidades brasileiras e trazemos exemplos de todo o Brasil. Na própria Universidade de Brasília (UnB), a Batalha da Escada, que é um projeto de extensão da universidade, já foi uma disciplina optativa lecionada no ano de 2019. O curso foi oferecido pela Faculdade de Comunicação da Universidade, a mesma que cedeu o auditório para o último dia de evento na UnB.

Eu participei do evento na UnB e atualmente também lidero a disciplina “Estratégias de Comunicação do Rap” na Universidade Federal de Rondônia.

Os avanços também podem ser vistos na região Nordeste, onde a Batalha do Coliseu se tornou um projeto de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A batalha havia sido estudada em um mestrado, produzido por Adalberto Almeida e defendido no final de 2022. A Batalha do Coliseu e a Batalha da Escada são exemplos de eventos realizados regularmente dentro das universidades.

Os debates também não se restringem a cena brasileira. O angolano Flagelo Urbano, que foi um dos convidados do Conexões Sonoras na UnB, também havia participado no mês anterior de palestra online Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro – Brasileira (Unilab), no Ceará.

 

OUTROS EXEMPLOS

Outros exemplos de fomento do rap angolano no Brasil vem das regiões Sul e Sudeste. A professora da Universidade de Santa Catarina (UFSC) Susan Oliveira é uma especialista em rap angolano, já tendo estudos sobre o tema há mais de 10 anos. A professora de literatura introduz o rap tanto brasileiro, como angolano em disciplinas de literatura.

Quem também se dedica ao rap angolano é a professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Jaqueline Santos, que defendeu tese de doutorado sobre o tema. Jaqueline também foi curadora do Arquivo Hip Hop na Universidade de Harvard e promove debates de grandes proporções.

Em 2021, ocorreu o evento Hip Hop em Trânsito na Unicamp, que teve participantes de vários lugares do mundo, de modo online, devido a pandemia. Em 2022, foi a vez dos Racionais MC´s serem convidados para um debate na instituição. Jaqueline e King Nino Brown também são responsáveis por criarem o Arquivo Brasileiro de Hip Hop na Unicamp.

Por fim, vale citar a Universidade Federal do ABC (UFABC), onde o renomado rapper Renan Inquérito é um dos professores e o beatmaker Jucka Anchieta realiza mestrado. Ambos já realizaram eventos envolvendo rap e poesia na instituição.