Luto na música

O anúncio foi feito por seu sobrinho, Brin Seaver, que publicou um vídeo nas redes sociais. Segundo ele, a própria Dolly havia pedido, anos atrás, que fosse responsável por comunicar sua morte quando esse momento chegasse.

Por: Redação

Dolly Parton, uma das figuras mais importantes da história da música country e uma das compositoras mais populares da música americana, morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos, em Nashville, no Tennessee. A informação foi confirmada pela família da artista. A causa da morte ainda não foi divulgada.

O anúncio foi feito por seu sobrinho, Brin Seaver, que publicou um vídeo nas redes sociais. Segundo ele, a própria Dolly havia pedido, anos atrás, que fosse responsável por comunicar sua morte quando esse momento chegasse.

A morte acontece poucos dias depois de Dolly falar publicamente sobre seu estado de saúde. Em entrevista à People publicada em 21 de agosto, a cantora reconheceu que vinha atravessando um período difícil, depois de ter enfrentado problemas de saúde e o impacto da morte do marido, Carl Dean, em março de 2025.

Uma carreira que ultrapassou o country

Nascida em 19 de janeiro de 1946, no Tennessee, Dolly Parton cresceu em uma família numerosa e de poucos recursos. A música surgiu ainda na infância e rapidamente se transformou no caminho que a levaria a Nashville e, posteriormente, ao estrelato internacional.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Dolly construiu uma obra que ultrapassou as fronteiras do country. Como compositora, criou músicas que se tornaram parte do repertório popular mundial, entre elas “Jolene”, “9 to 5” e “I Will Always Love You”.

“I Will Always Love You”, escrita originalmente por Dolly em 1973, ganhou uma dimensão ainda maior quando foi gravada por Whitney Houston para o filme O Guarda-Costas, em 1992, transformando a composição em um dos maiores sucessos da música pop.

Dolly também construiu uma carreira de sucesso no cinema, especialmente com Como Eliminar Seu Chefe (1980), ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin, além de participações em filmes como Flores de Aço.

Sua importância foi reconhecida por diferentes instituições. Dolly recebeu múltiplos prêmios Grammy, incluindo o Lifetime Achievement Award, e foi incluída no Rock & Roll Hall of Fame, em 2022.

Dolly Parton não foi apenas uma estrela country. Sua obra atravessou o pop, o rock, o cinema e a cultura popular americana, mantendo uma capacidade rara de conversar com públicos de diferentes gerações.

Seu catálogo ultrapassou a marca de 100 milhões de discos vendidos, enquanto músicas como “Jolene” continuam sendo redescobertas e reinterpretadas por artistas de diferentes estilos.

Nos últimos anos, mesmo aos 80, Dolly continuava envolvida em novos projetos. Seu site oficial registrava, ainda em agosto de 2026, novas certificações internacionais para músicas e álbuns de seu catálogo. “Jolene” e “9 to 5”, por exemplo, receberam novas certificações de diamante em diferentes países.

A trajetória de Dolly também foi marcada pela atuação filantrópica. A Dolly Parton’s Imagination Library, criada em 1995, tornou-se um dos principais projetos de incentivo à leitura infantil, distribuindo livros gratuitamente para crianças.

Ela também esteve envolvida em iniciativas de educação, saúde e ajuda humanitária. Em 2020, Dolly doou US$ 1 milhão para pesquisas relacionadas à Covid-19, contribuição que ajudou a financiar o desenvolvimento da vacina da Moderna.

A artista também criou o parque temático Dollywood, no Tennessee, transformando sua história e suas raízes em parte de um projeto cultural e turístico de enorme alcance.

Uma despedida depois de seis décadas de música

A morte de Dolly acontece justamente quando sua carreira ainda parecia longe de uma despedida definitiva. Poucos dias antes, ela havia falado sobre novos projetos e demonstrado vontade de continuar trabalhando, apesar dos problemas de saúde.

Sua partida encerra uma das trajetórias mais impressionantes da música americana: a de uma menina criada nas montanhas do Tennessee que se tornou compositora, cantora, atriz, empresária, filantropa e referência cultural mundial.

Dolly Parton deixa uma obra que não cabe apenas no country. De “Jolene” a “I Will Always Love You”, sua música atravessou gerações — e continuará atravessando.