A cena do rock pesado de Mossoró estáde luto nesta terça-feira (28). Morreu, em sua residência, o produtor cultural Marcondes Paula, fundador da Stormblast Produções e um dos maiores responsáveis pela manutenção da cena underground da cidade nas últimas duas décadas. Segundo informações da família, ele foi vítima de um infarto fulminante. Os detalhes sobre o funeral ainda não foram divulgados. O BDD vai ficar acompanhando e trará atualizações. Marcondes tinha 50 anos e faria aniversário em 21 de setembro.
Com uma trajetória marcada pela dedicação ao heavy metal e ao rock extremo, Marcondes tornou-se uma referência para músicos, produtores e fãs. Em uma cidade onde organizar festivais independentes sempre significou enfrentar dificuldades financeiras, falta de patrocinadores e um público muitas vezes limitado, ele nunca deixou de acreditar que a música pesada merecia espaço e respeito.
À frente da Stormblast Produções, promoveu dezenas de shows e festivais que ajudaram a consolidar Mossoró como um importante ponto de circulação do metal no Rio Grande do Norte. Mais do que realizar eventos, criou oportunidades para bandas locais dividirem palco com grupos de outros estados, fortalecendo o intercâmbio da cena independente.
Nos últimos anos, mesmo adotando uma atuação mais seletiva diante da crescente quantidade de eventos de rock na cidade, Marcondes manteve o compromisso com a qualidade das produções. Sua experiência e credibilidade fizeram da Stormblast um dos pilares da contracultura mossoroense.
Um dos principais símbolos desse trabalho foi o Rockstage, festival que se tornou sinônimo de resistência dentro do underground potiguar. Em 2026, o evento celebrou 23 anos de história, reafirmando sua importância para os headbangers da região. A edição marcou também a chegada do festival ao Rancho Nordestino, novo espaço que passou a receber apresentações de heavy metal na cidade.

A programação prevista para uma nova edição do evento aconteceria em agosto e reuniria nomes como Glory Fate (CE), Godhound (RN), Scavenger (RN) e Run Seraphim, além de um tributo ao Rotting Christ, mantendo viva a proposta de valorizar tanto bandas autorais quanto diferentes vertentes do metal extremo. A entrada seria solidária, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, reforçando também o caráter social do evento.
A morte de Marcondes interrompe planos e deixa uma lacuna difícil de preencher. Seu trabalho foi muito além da produção de shows: ajudou a formar público, incentivar bandas, fortalecer amizades e manter acesa uma cena que sempre sobreviveu graças ao esforço coletivo de apaixonados pela música pesada.
