Luto na música

Sanfoneiro, cantor e compositor construiu uma trajetória iniciada ainda na infância, aproximando o forró de gêneros como jazz, rock e música clássica

Por: Redação

O Brasil perdeu na noite deste domingo (25) um dos nomes de destaque da sanfona. Oswaldinho do Acordeon morreu aos 72 anos. A notícia foi divulgada por amigos do músico, mas a causa da morte não havia sido confirmada até o momento.

Nascido Oswaldo de Almeida da Silva, em junho de 1954, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, o artista começou cedo sua relação com a música. Filho do sanfoneiro Pedro Sertanejo, cresceu cercado pelo instrumento e teve contato com referências importantes do gênero, entre elas Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca, amigos de seu pai.

A carreira fonográfica começou ainda na adolescência. Em 1966, aos 12 anos, Oswaldinho lançou seu primeiro single. Na década seguinte, vieram os primeiros discos, que ajudaram a consolidar seu nome como instrumentista de grande habilidade técnica e intérprete ligado às tradições do forró.

Ao longo da carreira, Oswaldinho do Acordeon foi além dos limites tradicionais do forró. Sua versatilidade permitiu explorar diferentes linguagens musicais, aproximando a sonoridade da sanfona de elementos da música clássica, do jazz e do rock, sem abandonar suas raízes populares.

O reconhecimento ultrapassou as fronteiras brasileiras. O músico se apresentou no país e no exterior e colaborou com importantes artistas da música popular brasileira, ampliando as possibilidades expressivas do acordeon e contribuindo para valorizar o instrumento em diferentes contextos musicais.

Artistas lamentam a morte

A notícia provocou manifestações de pesar nas redes sociais. O cantor e compositor Chico César destacou a capacidade de Oswaldinho de expandir os horizontes da sanfona e transitar entre diferentes estilos musicais.

“Dono de reconhecida técnica e versatilidade, Oswaldinho expandiu os horizontes da sanfona ao transitar por diferentes estilos, aproximando a tradição nordestina de sonoridades da música clássica, do jazz e do rock”, escreveu Chico César, que também ressaltou as apresentações do músico no Brasil e no exterior e suas parcerias com nomes importantes da música brasileira.

A cantora Elba Ramalho também prestou homenagem ao artista, ressaltando a permanência de sua música na memória de quem acompanhou sua trajetória.

“Hoje a saudade fala mais alto, mas sua sanfona continuará tocando dentro de nós. Que Deus conforte o coração de todos que o amavam. Siga a luz”, publicou.

O guitarrista e violonista Nelson Faria também se despediu do sanfoneiro. “Hoje se foi um dos maiores sanfoneiros que esse país conheceu… viva Oswaldinho do Acordeon! Vai fazer falta”, escreveu.

A morte de Oswaldinho representa uma perda para a música brasileira, especialmente para a tradição da sanfona, instrumento que ele ajudou a levar a novos territórios sonoros ao longo de décadas de atividade artística.