Luto no cinema

Cineasta italiano ficou conhecido por produções provocativas que desafiaram convenções e provocaram controvérsias no cinema. Sua trajetória também inclui trabalhos experimentais e de vanguarda

Por: Redação

O cineasta italiano Tinto Brass morreu nesta quarta-feira (4), aos 93 anos, em Roma. A informação foi confirmada à agência de notícias ANSA por sua esposa, Caterina Varzi, e pelos filhos, Bonifacio e Beatrice. A causa da morte não foi divulgada. A família informou que pretende realizar uma cerimônia fúnebre reservada.

Nascido Giovanni Brass, em 26 de março de 1933, em Milão, o diretor iniciou sua trajetória no cinema trabalhando na Cinemateca de Paris, durante o período da Nouvelle Vague. Também atuou como assistente de Roberto Rossellini antes de estrear na direção de longas-metragens, em 1963, com Quem Trabalha Está Perdido (Chi lavora è perduto).

Ao longo de sua carreira, Brass transitou por diferentes gêneros e desenvolveu um estilo marcado pela experimentação estética, pela provocação e pela abordagem da sexualidade. A projeção internacional veio principalmente a partir da segunda metade dos anos 1970, com produções como Salon Kitty (1976) e, sobretudo, Calígula.

“Calígula” e uma das maiores polêmicas do cinema

Lançado em 1979, Calígula tornou-se um dos filmes mais controversos da história do cinema. Estrelado por Malcolm McDowell, Helen Mirren, Peter O’Toole e John Gielgud, o longa retrata a ascensão e o governo do imperador romano em uma narrativa marcada por violência, sexo e disputas pelo poder.

A produção ficou conhecida também pelos conflitos entre Tinto Brass, o roteirista Gore Vidal e o produtor Bob Guccione, fundador da revista Penthouse. Durante a realização do filme, Guccione assumiu o controle de parte do projeto e acrescentou cenas explícitas de sexo que não haviam sido aprovadas pelo diretor e pelo roteirista.

O resultado provocou um rompimento entre os envolvidos. Brass e Vidal contestaram a versão final apresentada ao público, e o longa passou a carregar uma reputação de escândalo que ultrapassou as discussões cinematográficas.

Décadas depois, o diretor voltou ao projeto para apresentar uma versão mais próxima de sua concepção original. Em 2023, Caligula: The Ultimate Cut foi exibido na programação Cannes Classics, recuperando a proposta narrativa de Brass e Vidal e reconfigurando a obra.

Embora tenha ficado especialmente associado ao cinema erótico, Brass também realizou trabalhos experimentais e produções que exploravam humor, liberdade sexual e comportamento humano. Entre seus títulos mais conhecidos estão A Chave (1983), Miranda (1985), Capriccio (1987), Paprika (1991) e Monella (1998).

Sua obra dividiu opiniões, enfrentou censura em diferentes países e alimentou debates sobre os limites entre provocação artística, exploração comercial e liberdade de expressão.

Com uma carreira que atravessou mais de seis décadas, Tinto Brass deixa um legado cinematográfico marcado por controvérsias e por uma linguagem própria, que o transformou em um dos nomes mais reconhecidos — e debatidos — do cinema italiano.