A imagem do astro do rock vivendo apenas da música está cada vez mais distante da realidade. Para Gary Holt, guitarrista das bandas Exodus e Slayer, a venda de camisetas e outros produtos oficiais se tornou a principal fonte de renda para grande parte dos artistas que seguem na estrada.
Durante entrevista ao guitarrista Nick Bowcott, no canal Sweetwater, Holt falou sobre os bastidores financeiros das turnês e explicou por que costuma dizer que, hoje, bandas como o Exodus funcionam mais como uma loja itinerante do que apenas como um grupo de músicos.
“É isso que qualquer um de nós é agora. Algumas bandas… o Metallica, tenho certeza, viveria muito bem sem vender uma única camiseta. Mas, para bandas como o Exodus, somos uma lojinha itinerante. Tocamos música para que vocês entrem e visitem nossa lojinha.”
Segundo Holt, o cachê recebido pelos shows normalmente é suficiente apenas para cobrir os custos da excursão.
“Se o seu cachê pagar toda a turnê, você já está em grande vantagem. Aí, o dinheiro do merchandise fica para a banda. É assim que você consegue voltar para casa com algum lucro.”
A declaração reforça uma realidade enfrentada por inúmeros artistas, especialmente aqueles que atuam no circuito de médio porte. Com o aumento dos custos operacionais, a receita obtida com camisetas, bonés, discos, pôsteres e outros itens exclusivos passou a ser essencial para manter as turnês financeiramente viáveis.
O próprio Gary embala os pedidos
Mesmo sendo um dos guitarristas mais respeitados da história do thrash metal, Holt revelou que administra pessoalmente sua loja virtual, Holt Awaits.
Segundo o músico, quando não está viajando, é ele mesmo quem separa, embala e envia os produtos adquiridos pelos fãs.
“Se você comprar alguma coisa lá e eu estiver em casa, sou eu quem faz a embalagem. Não contrato ninguém para isso.”
Para Holt, esse envolvimento direto ajuda a reduzir custos e garante uma fonte de renda importante entre uma turnê e outra.
O guitarrista já havia abordado o assunto em entrevista ao portal alemão Metal.de, onde afirmou que a pandemia elevou significativamente os custos das excursões.
Entre os principais aumentos estão os preços dos ônibus de turnê, passagens aéreas, hospedagem, combustível e logística.
“As pessoas pensam: ‘Você é um astro do rock rico’. Não. Eu vendo camisetas, e as vendo direto do meu armário”, comentou na ocasião.
Segundo ele, o dinheiro arrecadado durante uma turnê precisa durar até o início da próxima, tornando a administração financeira uma parte fundamental da carreira de qualquer banda.
Merchandise também enfrenta taxas
Outro desafio citado por Gary Holt é a cobrança de porcentagens sobre as vendas de merchandise dentro das casas de shows. Em muitos países — incluindo o Brasil — parte da receita obtida com camisetas e outros produtos oficiais fica com o estabelecimento onde o evento é realizado.
A prática é alvo de críticas frequentes entre músicos, que argumentam que o merchandise representa uma das poucas formas de renda direta em um mercado onde a remuneração proveniente do streaming ainda é considerada insuficiente para sustentar a maioria das bandas.
Enquanto nomes gigantes como Metallica conseguem manter uma estrutura milionária, grupos tradicionais do metal seguem encontrando maneiras criativas de equilibrar as contas. E, como resume Gary Holt, para muitos artistas a música continua sendo a grande paixão — mas as camisetas são, cada vez mais, o negócio que mantém a estrada viva.
