Imagens: Myrna Barreto
Eu sou Myrna Barreto e estou no festival Mimo, em Olinda, acompanhando de perto a programação especialmente para o Bolsa de Discos.
O primeiro dia do festival, sexta-feira, 12 de setembro de 2025, começa com uma roda conversa. A atração é a potiguar Juliana Linhares, que por volta das 16h30 começou a falar para o público atento e majoritariamente feminino, que preenchia a plateia, na histórica sala azulejada do convento de são Francisco, no centro histórico de Olinda. Numa conversa sem protocolos, Juliana justificou o porquê do tema Nordeste ficção permeiar todo o seu primeiro trabalho solo.
A cantora potiguar referenciou o trabalho do pesquisador e professor Durval Muniz e a invenção do nordeste. Segundo ela, este é um tema fértil com muito potencial a se explorar. “Seria possível fazer nordeste ficção 2, 3, 4, 5…” Pois existem muitas perspectivas de nordeste, embora alguns aprisionados em estereótipos daquilo que poderia ser considerado o “típico nordestino”. Para Juliana, a intenção não é negar o que já se divulga sobre o que é Nordeste, mas ter a compreensão de que se trata de uma invenção e que existem outros nordestes possíveis de revelação. No sábado, dia 13 de setembro, Juliana apresenta o show com o(s) seu(s) Nordeste(s) imaginário(s) e artístico(s), na praça do Carmo, no coração da cidade patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO.
Seguindo a programação do primeiro dia do festival Mimo acompanhamos duas emocionantes exibições de cinema, no adro da igreja da Sé. O primeiro filme foi O som da pele, um documentário que acompanha a trajetória de Irton Mário, conhecido como Mestre Batman, responsável por fundar o grupo “Os Batuqueiros do Silêncio”. Formado por pessoas com surdez total ou parcial, o grupo utiliza a arte como meio de integração e inclusão social. A direção é de Marcos Santos. O segundo filme da noite “Nos rastros do pé de bode”, direção de Marcelo Rabelo. O documentário mostra os resistentes sanfoneiros que ainda se dedicam a sanfona de oito baixos no interior do Nordeste, que é popularmente chamada de “pé de bode”.
A programação de cinema realizada entre 18h e 20h ajudou a entreter o público que já se aglomerava nas imediações da entrada da igreja da Sé para assistir o concorrido concerto do renomado músico brasileiro Edu Lobo. Sobre esse show indico ler a sessão de crítica de Renan Simões aqui mesmo no Bolsa de Discos.
Por volta das 21h30 foi encerrada a programação na Sé e o público segue descendo a ladeira do centro histórico, quase em comitiva, em direção à Praça do Carmo, para acompanhar o que considerei a maior surpresa da noite, a apresentação da competente artista Anne Paceo.
Ela trouxe da França o seu novo show, inspirado no mar, no “sentimento oceânico” que uniu em perfeita fusão sonora: piano, trompete, saxofone, teclado vintage, vocais arrojados, sendo tudo regido pela marcação rítmica de sua bateria. Esse foi um show que expressou a fluência musical marcada pela harmoniosa espontaneidade dos músicos. Seguindo ainda a programação da noite de sexta, no palco do Carmo, foi exibido o show do grupo Votia, da ilha da Reunião, região leste da África, que trouxe a tradição Malaya que reúne a música, o canto e a dança reverenciando a força da cultura ancestral.
Quem fechou a noite, do primeiro dia do Mimo, foi o grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado que explodiu o palco em cores, sons rítmicos dos tambores e com o marcante canto poético do vocalista Lirinha. Cordel se apresentou para uma plateia repleta de admiradores que acompanha em coro todo repertório tocado e fez daquele um momento de celebração da arte e da cultura.
Que venha o segundo dia do Mimo! Retornaremos em breve com mais detalhes sobre esta cobertura. Até mais!
