Crítica/Disco

“The Rise and Fall of a Midwest Princess”, lançado em 2023, é um álbum em sua essência pop e com composições fortes. Leia a análise do estudante de Jornalismo da Uern, Rodolpho Albuquerque

Por: Rodolpho Albuquerque, especial para o BDD

A cantora e compositora norte americana Chappell Roan, ganhou notoriedade esse ano após abrir shows da cantora Olivia Rodrigo, chegando ainda a performar no Coachella. Por conta de sua amizade com Daniel Nigro, ser o ato de abertura de uma das cantoras mais conhecida na atualidade, ajudou muito a artista a se consolidar como um dos maiores atos pop do ano. O aplicativo TikTok também foi um divisor de carreira para a drag, com o viral de “Good Luck, Babe!”, lançado esse ano e “HOT TO GO!”, música que viralizou após performances ao vivo.

A capa do álbum “The Rise and Fall of a Midwest Princess”, de Chappell Roan (Foto: Spotify)

A artista foi agenciada no ano de 2017, usando seu nome real, Kayleigh Rose, na época em que foi descoberta pela agência ela postava covers de outros artistas no YouTube e no mesmo ano lançou sua primeira música autoral, chamando a atenção da Atlantic Records, casa de diversos artistas famosos, assim lançando o EP “School Nights” ainda em 2017. Após o lançamento ela foi “colocada na geladeira” da agência. Desde 2020, a artista é agenciada pela Amusement Records, criada por Dan Nigro justamente para agenciar Chappell.

“The Rise and Fall of a Midwest Princess”, lançado em 2023, é um álbum em sua essência pop e com composições fortes. O disco conta com diversas letras que são de fácil identificação para pessoas queer, trazendo canções sobre decepção amorosa, romances e descoberta, que é o foco da artista. Alternando entre músicas lentas e músicas com bastante batidas, o álbum pode ficar meio confuso para quem escuta as músicas na ordem do CD. Os visuais dos clipes são muito bem feitos, mostrando o empenho da produtora com a cantora.

Começando o disco “Femininomenon” traz exatamente o que podemos esperar do resto da coletânea, sendo uma música que começa lenta e que vai ficando cada vez mais animada. “Red Wine Supernova” é um grande pop genérico (no bom sentido), trazendo uma letra divertida e até um pouco ousada. Seguindo com “After Midnight” que é um dos destaques positivos do álbum, a música continua com a pegada dançante e divertida que vem sendo construída pelas outras músicas, a diferença das outras é o ótimo uso de backing vocal e baixo bem acentuado. “Coffee” é um grande quebra clima, é uma ótima música trazendo uma letra sobre se desapontar com uma pessoa, ela funciona perfeitamente sozinha, mas para quem está ouvindo todas as canções em ordem, acaba realmente sendo uma música que tira totalmente o dançante do CD.

Já “Casual” por sua vez, é uma canção que a composição é o destaque e traz elementos do “dream pop”, a música apesar de sua letra triste e enraivecida, funciona perfeitamente no álbum, além de ter o clipe mais visualmente bonito da era. Apesar de não concordar com as comparações com a Lady Gaga que são feitas diariamente nas redes sociais, “Super Graphic Ultra Modern Girl”, tem uma construção que parece bastante com o que a Gaga fazia em seu auge, porém com a cara de Chappell e isso definitivamente não é um defeito. “HOT TO GO!” foi uma das canções que ajudou a artista a ficar famosa, principalmente por ter sua dança viralizada nas redes sociais, a música é divertida, dançante e juntando isso a energia que a cantora tem no palco, traz a melhor e mais icônica performance do álbum.

“My Kink Is Karma” é mais do que a gente já viu no resto do disco e acho que o destaque dela é o uso de sintetizadores, que torna a canção mais interessante. As músicas seguintes “Picture You” e “Kaleidoscope” são músicas lentas e com composições tristes, mas que podem ser resumidas a isso, pois acabam sendo esquecidas vendo o resto do CD. Trazendo o icônico piano de “I Will Survive” de Gloria Gaynor “Pink Pony Club” é a música que a maioria das pessoas da comunidade LGBT+ devem se identificar, a canção que junta a ótima produção de Nigro com a composição e voz de Chappell, torna ela uma das mais icônicas do disco e foi a primeira música a viralizar da cantora com esse alter ego e foi a primeira produção de Daniel Nigro com a cantora, em 2020.

Seguindo com “Naked In Manhattan” é uma música teen, trazendo referências como Meninas Malvadas, é exatamente o que é proposto no CD, sendo um pop simples e divertido. “California” traz a sensação de se mudar para outra cidade, para tentar seguir a carreira de artista e sentir saudades de casa, novamente pode ser considerada uma canção meio perdida por conta de ser inserida entre duas músicas animadas e dançantes. Para finalizar o álbum, “Guilty Pleasure” tem a estrutura parecida com a música que inicia o álbum, nesta  a cantora faz o uso do“Yodeling” em seu vocal, mostrando assim o potencial de sua voz,  a canção é dançante e com a letra simples e divertida, finalizando o álbum de bom astral.

No geral, é um ótimo álbum de estreia, apesar de certas músicas que são esquecíveis, mas isso acontece em grande parte dos álbuns pop. Chappell Roan provou ter um grande potencial e deixa ansiedade para seus próximos trabalhos.

Rodolpho Albuquerque é estudante de Jornalismo da Uern