Fortaleza

Nas últimas décadas, Gil foi presença constante na Capital, com diversas apresentações marcantes em seus mais de 60 anos de carreira. Logo no início do show, ele destacou a fidelidade do público cearense

Por: Ana Beatriz Caldas, do Diário do Nordeste

Imagem: Gil se despede dos palcos oficialmente em março de 2026; aqui, ao lado de Ednardo em Fortaleza. Foto: Kid Júnior/Diário do Nordeste

 

A capital cearense começou a se despedir dos shows de Gilberto Gil neste sábado (15), com a chegada da turnê “Tempo Rei” ao Centro de Formação Olímpica (CFO). Com cerca de duas horas e meia de duração, a primeira apresentação contou com a participação especial do cantor cearense Ednardo e reuniu cerca de 11 mil pessoas, segundo a organização do evento.

Anunciada no ano passado, a turnê “Tempo Rei” começou a rodar o País em março deste ano e chegará ao fim em março de 2026, com um show no Allianz Parque, em São Paulo (SP).

Em Fortaleza, a primeira data teve ingressos rapidamente esgotados e uma data extra foi aberta para dar conta da demanda. A segunda e última apresentação de Gil por aqui foi realizada neste domingo (16), também no CFO.

Nas últimas décadas, Gil foi presença constante na Capital, com diversas apresentações marcantes em seus mais de 60 anos de carreira. Logo no início do show, ele destacou a fidelidade do público cearense.

 

Público lotou o Centro de Formação Olímpica.
 Público lotou o Centro de Formação Olímpica. Foto: Kid Júnior/DN

Sob intensa expectativa dos milhares de fãs, as luzes do CFO se apagaram pontualmente às 21h, indicando que era chegada a hora do espetáculo. Minutos depois, a banda formada por 14 músicos e um Gil sereno e sorridente encheram o palco, dando início ao show em meio a muitos aplausos e gritos emocionados.

 

Gilberto Gil em apresentação deste domingo (15).
Legenda: Gilberto Gil em apresentação deste domingo (15).
Foto: Kid Júnior.

 

Após a sempre animada “Palco”, que costuma abrir os shows do artista, o repertório engatou de primeira com os fãs ao apresentar um mix das mais variadas faces de Gil, do forró de “Eu Só Quero Um Xodó” ao entusiasta do reggae que fez sua própria versão de “No Woman, No Cry”, passando pelo bluesman de “Back in Bahia”.

 

Alinhamento entre cantor e banda engrandeceu espetáculo.
Legenda: Alinhamento entre cantor e banda engrandeceu espetáculo.
Foto: Kid Júnior.

 

Frente à banda afiada (formada em boa parte por membros de sua família, incluindo os filhos Nara, Bem e José, além do neto João), Gil conduziu a apresentação como um maestro, sempre abrindo caminhos para que os músicos também brilhassem, ocasionalmente, sem sua voz como protagonista.

 

Durante 'Cálice', show exibiu fotos de desaparecidos, presos e mortos pela ditadura.
Legenda: Durante ‘Cálice’, show exibiu fotos de desaparecidos, presos e mortos pela ditadura.
Foto: Ana Beatriz Caldas.

 

Um dos momentos mais emocionantes da apresentação ocorreu quando, durante “Cálice”, foram projetadas cenas de repressão e fotos de mortos pela ditadura militar – como Rubens Paiva e Vladimir Herzog – mas não sem incluir imagens de resistência popular, num lembrete da importância da luta pela democracia.

Assim como tem feito em outras capitais, Gil reservou um momento especial para prestigiar um artista da terra. Durante a turnê, nomes como Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Anitta e Liniker dividiram o palco com o artista; dessa vez, o convidado foi o cantor cearense Ednardo, que dividiu os vocais de “Andar com Fé” com Gil, já na reta final do show.

Ao apresentá-lo, Gil destacou a amizade antiga entre os dois e a admiração que sente pelo artista cearense. “Viva Gilberto Gil”, devolveu Ednardo, ao fim da apresentação.