O Coletivo Invisível de Teatro comemora dez anos de atuação em 2026 com a inauguração de uma conquista importante para a cultura de Umarizal, no Oeste do Rio Grande do Norte. No dia 31 de outubro, o grupo abre as portas do Teatro Davi Lucas, edifício construído por seus próprios integrantes no bairro Ozório, que passará a abrigar a sede do coletivo e a receber espetáculos, atividades formativas e encontros artísticos.
A iniciativa representa um novo capítulo na trajetória do grupo e reforça a importância da descentralização cultural, especialmente em municípios do interior que ainda enfrentam dificuldades para manter espaços permanentes destinados à produção e à apresentação teatral.
A história do Coletivo Invisível começou na Escola Estadual 11 de Agosto, sob a orientação da professora Rose Lotte. A experiência desenvolvida no ambiente escolar ganhou novos caminhos e se transformou em um grupo independente, que passou a construir sua própria trajetória na cena cultural de Umarizal. Posteriormente, o coletivo conquistou o reconhecimento como Ponto de Cultura, ampliando suas possibilidades de atuação.
Atualmente, o grupo reúne 13 integrantes envolvidos em diferentes etapas do trabalho artístico, da criação à produção e realização das atividades. Ao longo de uma década, o teatro tornou-se, para o coletivo, não apenas uma linguagem de expressão, mas também um espaço de reflexão, convivência e transformação social.

A inauguração do Teatro Davi Lucas materializa um projeto que vai além da conquista de uma sede própria. Com o novo edifício, o coletivo passa a contar com uma estrutura permanente para desenvolver seus trabalhos e abre possibilidades para receber outros artistas, promover intercâmbios e ampliar a circulação de espetáculos.
Instalado na periferia de Umarizal, o espaço também chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso à infraestrutura cultural fora das capitais e dos grandes centros urbanos. A construção reafirma que a produção teatral no interior depende não apenas da criatividade dos artistas, mas também de condições concretas para ensaiar, criar, apresentar e estabelecer vínculos com o público.
O Teatro Davi Lucas nasce com essa perspectiva: fortalecer a presença das artes cênicas no município e contribuir para a formação de novos públicos, oferecendo um lugar de encontro entre artistas, grupos e comunidade.
O nome do teatro homenageia Davi Lucas, integrante do coletivo que morreu em 2025. A escolha preserva a memória de alguém que fez parte da história do grupo e transforma o novo espaço em um símbolo dos afetos, das experiências compartilhadas e dos vínculos construídos ao longo dessa caminhada.
A construção do edifício foi viabilizada pela mobilização dos próprios integrantes, com recursos próprios, colaboração da comunidade e apoio de políticas públicas de incentivo à cultura. Entre as iniciativas que contribuíram para o projeto estão recursos conquistados por meio de edital do Cultura Viva.
O processo evidencia o papel da articulação entre artistas, sociedade e políticas culturais na criação de estruturas capazes de dar continuidade ao trabalho artístico e fortalecer a vida cultural dos municípios.
Teatro e música na inauguração
A abertura oficial do Teatro Davi Lucas será realizada no sábado, 31 de outubro de 2026, com uma programação que reunirá diferentes expressões artísticas. A noite contará com a participação da Cia. Arte e Riso e das bandas Comumraio e Re-Legião, celebrando tanto os dez anos do Coletivo Invisível de Teatro quanto o início de uma nova etapa para o espaço.
Ao completar uma década, o grupo celebra uma história construída coletivamente, marcada pela resistência cultural, pelo trabalho colaborativo e pela continuidade da produção artística em Umarizal. A conquista de uma sede própria representa um avanço para o coletivo e uma contribuição para o fortalecimento do teatro no interior do Rio Grande do Norte.
Mais do que inaugurar um edifício, o Coletivo Invisível transforma dez anos de atuação em uma estrutura voltada para o futuro, reafirmando o direito de produzir, apresentar e vivenciar arte em todos os territórios.
