Há três décadas e meia, o Metallica deixava o thrash metal ainda mais pesado para trás e encontrava uma nova linguagem — direta, grandiosa e acessível — que transformaria a banda em um fenômeno mundial.
Em 12 de agosto de 1991, o Metallica lançava seu quinto álbum de estúdio. Batizado simplesmente de Metallica, o disco rapidamente ganhou outro nome, aquele que se tornaria definitivo entre fãs e músicos: Black Album.
Trinta e cinco anos depois, o trabalho continua sendo um dos discos mais importantes da história do rock e uma das principais portas de entrada para o heavy metal.
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Depois de quatro álbuns fundamentais para a consolidação do thrash metal — Kill ‘Em All, Ride the Lightning, Master of Puppets e …And Justice for All —, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Jason Newsted apresentaram uma nova face do Metallica.
O grupo reduziu parte da velocidade característica dos trabalhos anteriores e apostou em músicas mais enxutas, riffs gigantescos, produção poderosa e refrões capazes de alcançar um público muito maior.
A mudança não significou abandonar o peso. Pelo contrário. O Metallica encontrou no contraste entre simplicidade, agressividade e grandiosidade uma fórmula que ajudaria a redefinir o heavy metal no início dos anos 1990.
De “Enter Sandman” a “Nothing Else Matters”
A abertura com “Enter Sandman” já anunciava que aquele não seria apenas mais um álbum do Metallica. O riff criado por Kirk Hammett se tornou um dos mais reconhecíveis da história do rock, enquanto a interpretação de Hetfield ajudou a transformar a faixa em um hino.
O repertório ainda reúne “Sad But True”, “The Unforgiven”, “Wherever I May Roam” e “Nothing Else Matters”, entre outras faixas que passaram a fazer parte do imaginário do rock.
“Nothing Else Matters”, especialmente, mostrou uma faceta mais vulnerável da banda. A balada, construída inicialmente por Hetfield como uma composição de caráter pessoal, acabou se transformando em um dos maiores sucessos da carreira do grupo.
Essa capacidade de transitar entre o peso e a melodia foi fundamental para que o álbum ultrapassasse as fronteiras do metal.
O disco que mudou o tamanho do Metallica
O Black Album chegou em um momento de transformação da música pesada. O grunge começava a ganhar força, o rock alternativo conquistava espaço e o mercado fonográfico passava por mudanças profundas.
Nesse cenário, o Metallica conseguiu algo raro: ampliou radicalmente seu público sem deixar de ser reconhecido como uma banda de metal.
O disco apresentou o grupo a milhões de pessoas que talvez nunca tivessem ouvido Master of Puppets ou Ride the Lightning. Para uma geração inteira, o primeiro contato com o heavy metal aconteceu justamente através de “Enter Sandman”, “Sad But True” ou “The Unforgiven”.
O resultado foi uma mudança definitiva de escala. O Metallica deixou de ser apenas uma das maiores bandas do thrash metal para se tornar uma das maiores bandas de rock do planeta.
35 anos depois
O tempo não diminuiu o impacto do Black Album. Pelo contrário: suas músicas continuam presentes em rádios, playlists, shows e na formação musical de novas gerações.
Mais do que um disco de sucesso, Metallica representa um momento em que uma banda criada dentro do underground conseguiu atravessar a fronteira para o grande público sem perder a identidade construída ao longo de sua trajetória.
É também um daqueles trabalhos que funcionam como porta de entrada. Muitos ouvintes chegaram ao heavy metal pelo Black Album e, a partir dele, descobriram o restante da discografia do Metallica e toda uma história construída por décadas de música pesada.
Trinta e cinco anos depois, o preto continua sendo uma das cores mais fortes da história do metal.
E o Black Album continua soando gigante.
