Imagens: Eunilo Rocha
A veterana Rosa Passos apresentou, no 27º Festival Jazz & Blues de Guaramiranga, o show Suíte brasileira, no qual realiza um panorama de sua extensa discografia, iniciada em 1978 e que conta com mais de 20 lançamentos. A banda que a acompanha é composta de músicos muito experientes e proficientes: Lula Galvão (violão), Marco Brito (piano), Lucas Andrade (clarinete), Paulo Paulelli (contrabaixo) e Celso de Almeida (bateria). Alguns desses músicos acompanham a cantora há décadas.
Antes do show, a artista subiu ao palco para receber uma homenagem do festival, o que a deixou emocionada, e proporcionou um início de show já em clima de leveza e celebração. Ao longo de todo o espetáculo, a voz da artista não se destacou perante os instrumentos, por vezes ficando em plano secundário, o que pareceu mais como uma má escolha do nível dos volumes do que uma falta de equilíbrio do grupo.
O repertório foi inaugurado com Você já foi à Bahia? (composição e Dorival Caymmi), seguido por um dos momentos mais tocantes da noite com As rosas não falam (Cartola), cujo arranjo apresentava citações da Ária da Bachianas Brasileiras nº 5 de Heitor Villa-Lobos. Em uma alternância entre músicas rápidas e lentas, o repertório segue com Morena boca de ouro (Ary Barroso) e Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), com um maravilhoso início apenas em voz e violão, mas com posteriores alterações melódicas, harmônicas e métricas que podem incomodar quem é muito fã da composição original.
Após a singela O amor e a rosa (Antônio Maria e João Pernambuco), a Rosa Passos nos presenteou com uma versão muito inspirada de A ilha, que nos deu uma perspectiva diferente e muito interessante da composição de Djavan, com direto a um solo virtuoso, impecável e super criativo de Lula Galvão ao violão, além de ótimos scats vocais da cantora. A agitação de Serrado, também de Djavan, contrastou de forma brilhante com Verão, composição introspectiva de Rosa Passos e Fernando de Oliveira.
O clima se amornou um pouco com a desinteressante Vestido de bolero (Dorival Caymmi), mas toma fôlego novamente com as autorais Abajur lilás (composição de Rosa Passos, Ivan Lins e Fernando de Oliveira) e Amanhã vai ser verão (Rosa Passos e Marcello Pizo). Não me senti conectado com as músicas escolhidas para finalizar o show – Maçã, de Djavan, e Olhos verdes, de Vicente Paiva -, mas o bis da artista, Samurai (Djavan), fez com que a noite terminasse em muito grande estilo.
