Gil estreou a noite com o sucesso “Palco”. Usava um figurino vermelho-vivo. O canto e a presença do compositor baiano magnetizavam nossos olhos e ouvidos. Nós, do público, acompanhávamos num mesmo coro efusivo os “papapaias” da canção, na noite de domingo (16), lotando o ginásio do Centro de Formação Olímpica, em Fortaleza.
A voz de Gil refletia a segurança e a firmeza de quem dedicou longos anos de sua existência ao ofício da música. Ele se deliciava com as palavras, descobrindo novas notas e jeitos de cantar a mesma canção. Seu nível de entrega ao momento do show foi algo lindo de se presenciar. Saracoteou pelo palco, cantou sambas baianos ao violão e entoou, a cappella, “No Norte da Saudade”, composição feita em uma passagem pelo Ceará na década de 1970.
Sua apresentação na turnê de despedida “Tempo Rei” foi um passeio pela sua história, desde um dos seus primeiros sucessos, “Procissão”, passando pelo momento tropicalista e avançando pela obra do baiano. A interpretação de “Cálice” foi um ponto alto, lembrando que não é mais possível tolerar a mordaça do autoritarismo.
A banda que o acompanhou era de classe, com naipe de sopros, cordas, percussões, backing vocals, teclado, guitarra, baixo e bateria. Quinze músicos numa mesma vibração, com a energia lá em cima. O cearense Waldonys foi o artista convidado da segunda noite de show em Fortaleza e cantaram juntos “Esperando na Janela”. No sábado, o convidado havia sido o ícone do cancioneiro cearense, Ednardo, que o acompanhou na contagiante “Andar com Fé”.
Ver e ouvir Gilberto Gil foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida nos últimos tempos. Que sorte!
