Mais de meio século depois de colocá-los no caminho do estrelato, o imponente segundo álbum do Queen, “Queen II”, ressurge remixado, remasterizado em edições que contam com uma luxuosa nova caixa, LPs, CDs e versão digital no dia 27 de março.
Considerado por muitos o álbum mais pesado do Queen, “Queen II” foi lançado originalmente em 1974 e amplamente saudado como a primeira grande obra-prima da banda. Com Brian May e Roger Taylor como produtores executivos, o disco ganhou uma nova e impressionante mixagem realizada pela equipe formada por Justin Shirley-Smith, Joshua J. Macrae e Kris Fredriksson.
A caixa “Queen II Collector’s Edition”, com 5 CDs + 2 LPs, traz a mixagem de 2026 do álbum, além de áudios do Queen nos bastidores do estúdio, outtakes e demos inéditos, gravações ao vivo e sessões para rádio.

A edição também inclui um livro de 112 páginas com fotografias nunca vistas antes, letras manuscritas, páginas de diário e memorabília especial, além de memórias dos integrantes da banda sobre o processo de composição e gravação do álbum. Confira na UMusic Store os formatos físicos disponíveis. Saiba mais AQUI.
“‘Queen II’ foi o maior salto que já demos. Foi quando realmente começamos a fazer música da forma como queríamos, e não da maneira como estavam nos pressionando para gravá-la”, diz Brian May.
Roger Taylor acrescenta: “Estávamos sendo pioneiros nessa coisa de gravar em múltiplas faixas. Isso nos dava uma paleta enorme — efeitos corais imensos com apenas três de nós cantando.”
Ao longo dos anos, “Queen II” foi celebrado por muitos fãs como a obra suprema da banda. Entre esses fãs está o lendário vocalista do Guns N’ Roses, Axl Rose, que disse: “No Queen, eu tenho o meu favorito: ‘Queen II’. Sempre que saía um novo disco deles com vários outros tipos de música, de cara eu só gostava de uma ou outra faixa. Mas depois de algum tempo ouvindo, aquilo abria minha mente para tantos estilos diferentes. Isso é algo que sempre quis conseguir fazer.”
A tarefa de remixar “Queen II” para esta nova edição ficou nas mãos da equipe de confiança formada por Justin Shirley-Smith, Joshua J. Macrae e Kris Fredriksson — os mesmos que trabalharam na reedição de ‘Queen I’ e em outros lançamentos da banda — com Brian May e Roger Taylor atuando como produtores executivos.
“A ideia era revelar ainda mais a clareza das canções. Em vez de acrescentar algo, queríamos mostrar mais o que já estava lá e alcançar o som que a banda sempre quis”, explica Justin Shirley-Smith.
“O que a banda fez para conseguir alcançar aqueles resultados com a tecnologia disponível na época é incrível”, diz Joshua J. Macrae. “Algumas coisas estão muito à frente do seu tempo. Trabalhar nisso foi como entrar em uma sala cheia de maravilhas.”
O álbum de estreia homônimo do Queen, lançado em 1973, já havia estabelecido a banda como uma das vozes novas mais ousadas e originais da música. No álbum seguinte, gravado novamente no Trident Studios, no Soho, com o coprodutor de “Queen I”, Roy Thomas Baker, o Queen assumiu o controle do próprio destino. A banda já estava extremamente bem ensaiada antes de entrar em estúdio, com músicas como “Father To Son” e “Ogre Battle” fazendo parte dos shows ao vivo desde setembro de 1973. O resultado foi um álbum que não apenas rasgou o manual de regras, mas o redesenhou em escala grandiosa.
“Eu queria colocar tudo ali — ser completamente indulgente”, disse Freddie Mercury na época. “A banda inteira não trabalha com meias medidas, e eu sou muito exigente comigo mesmo. Não há concessões”, completou o vocalista.
Lançado originalmente no Reino Unido em 8 de março de 1974, “Queen II” ainda soa extraordinário hoje. Ousado, corajoso e extremamente ambicioso, é a obra de uma banda cuja autoconfiança, visão e capacidade eram incomparáveis. Suas canções vão do intricado e complexo ao cru e pesado, com vocais organizados em níveis quase operísticos e a famosa “orquestra de guitarras” de Brian May dando ao grupo um som sem igual.
Assim como a icônica foto de Mick Rock na capa — revisitada pela própria banda quase dois anos depois no histórico vídeo promocional de “Bohemian Rhapsody” — “Queen II” é um álbum de sombra e luz.
Em vez dos tradicionais lado A e lado B, o disco foi dividido no estilo exuberante do Queen em Side White (Lado Branco) e Side Black (Lado Preto). O primeiro é dominado pelas composições de Brian May, incluindo o rock grandioso “Father To Son” e a etérea “White Queen (As It Began)”, sendo encerrado por “The Loser In The End”, de Roger Taylor, com sua energia intensa e melancólica.
O Lado Preto é dedicado às complexas excursões musicais de Freddie Mercury — da estrondosa “Ogre Battle” à filigranada e refinada “The Fairy Feller’s Masterstroke” (inspirada em uma pintura do século XIX, de Richard Dadd), culminando na fanfarra quase mítica “Seven Seas Of Rhye”, que deu à banda seu primeiro hit no Reino Unido. A peça central do lado é “The March Of The Black Queen”, um mini-épico em múltiplas partes que, como grande parte de “Queen II”, apontava para o glorioso futuro da banda.
“‘The March Of The Black Queen’ foi certamente uma precursora de ‘Bohemian Rhapsody’”, diz Brian May. “A mente do Freddie já estava funcionando em outro nível, mesmo naquela época. ‘Father To Son’, ‘The Fairy Feller’s Masterstroke’… você consegue ouvir as sementes do que viria depois nessas músicas.”
