Lançamento

Mais do que uma canção, a obra nasce como manifesto musical pela liberdade do povo palestino, reafirmando Waters como uma das vozes mais contundentes da música contemporânea quando o assunto é denúncia social e posicionamento político

Por: Redação

Mesmo após décadas de carreira e incontáveis capítulos de engajamento artístico e político, Roger Waters segue provando que sua música ainda é território de resistência. Neste fim de semana, o músico britânico compartilhou nas redes sociais um vídeo de uma faixa inédita, ainda em desenvolvimento, intitulada “Sumud” — palavra de origem árabe que significa “perseverança inabalável”.

Mais do que uma canção, a obra nasce como manifesto musical pela liberdade do povo palestino, reafirmando Waters como uma das vozes mais contundentes da música contemporânea quando o assunto é denúncia social e posicionamento político.

Na composição, o artista ergue uma lírica direta, convocatória, em que pede que “as vozes se unam em harmonia”, enquanto critica abertamente a elite bilionária, as desigualdades globais e os sistemas de opressão. A canção não se limita à metáfora: ela nomeia, homenageia e eterniza figuras emblemáticas da luta por justiça, como a ativista norte-americana Rachel Corrie e a vereadora brasileira Marielle Franco, assassinada em 2018.

O gesto conecta geografias, histórias e dores, criando um eixo simbólico entre diferentes territórios de resistência.

Um artista em constante estado de alerta

Desde seus tempos à frente do Pink Floyd, Waters consolidou uma obra profundamente conectada a temas como guerra, alienação, autoritarismo e desigualdade social. Em carreira solo, esse compromisso não só continuou, como se radicalizou. Shows, entrevistas e lançamentos recentes sempre carregam o peso de suas convicções políticas — algo que o aproxima da arte como ferramenta de conscientização, mas também o coloca no centro de polêmicas globais.

“Sumud”, no entanto, parece ir além da controvérsia: soar mais como um lamento coletivo e, ao mesmo tempo, um chamado à esperança teimosa de um povo que insiste em existir.

Na legenda que acompanhou a publicação do vídeo, Waters foi direto ao ponto ao escrever: “A Palestina será libertada” — frase que resume o espírito e a intenção da música, ainda em processo, mas já carregada de significado histórico e emocional.

Quando a música é trincheira

Em um mundo onde a informação se fragmenta, a mentira se organiza e o sofrimento vira estatística, Roger Waters aposta na canção como abrigo e arma simbólica. “Sumud” ainda não tem data oficial de lançamento, mas já cumpre uma função essencial: a de lembrar que a arte pode — e deve — se posicionar.

E, para Waters, não existe neutralidade quando a dignidade está em jogo.