O forró e a cultura nordestina perderam nesta quinta-feira, 5 de março, um de seus mais dedicados defensores. Morreu, vítima de infarto, o cantor, compositor e cordelista Marcus Lucenna, conhecido como Cantador dos Qu4tro Cantos. A informação foi divulgada pelo radialista paraibano Orlando Camboim, em suas redes sociais.
Natural de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Marcus Lucenna nasceu em 31 de dezembro de 1959 e construiu grande parte de sua trajetória artística no Rio de Janeiro, onde se radicou ainda jovem. Ao longo de décadas de carreira, tornou-se uma das vozes mais firmes na defesa do forró tradicional e da cultura popular nordestina. ““Conheci Luiz Gonzaga quando eu era moleque. Ele me fez ficar apaixonado pela música. Passei a estudar o assunto e hoje defendo a cultura de cordel e a música da minha região em outros lugares do país.”, disse em entrevista ao jornal O Globo, em 2018.
Além da carreira musical, o artista teve atuação marcante na promoção das tradições nordestinas no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a tradicional Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, espaço com o qual manteve forte ligação ao longo dos anos. Autor de diversas composições, também participou da criação do hino da feira, recentemente relançado em nova versão.
Marcus Lucenna também atuava como comunicador, levando o forró para a televisão e outros meios de comunicação. Atualmente apresentava um programa dedicado ao gênero na TV Metrópole, transmitida no estado do Ceará.
Com uma obra marcada pela valorização das raízes nordestinas e pela admiração à tradição do forró, Marcus Lucenna deixa um legado de música, poesia e militância cultural que ajudou a manter viva a identidade do Nordeste em diferentes regiões do país. Ao destacar a música nordestina ,disse: “Ela tem características únicas, vindas da Península Ibérica com a colonização portuguesa. O forró é mais do que um ritmo. É um estado de espírito, de ânimo, e simboliza a reunião das pessoas para celebrar a cultura nordestina. É uma música poderosa demais para ser discriminada.”
