Imagem: Analu, durante show em Guaramiranga (Fotos: Eunilo Rocha)
A cidade de Guaramiranga voltou à tradicional atmosfera de música, na noite de abertura, marcada pelo retorno da programação ao seu local de origem: o teatro Rachel de Queiroz. O Festival Jazz & Blues de Guaramiranga 2026, em seu primeiro dia, confirma a continuidade de sucesso. O público compareceu ocupando as ruas, praças, bares, restaurantes e teatro, acompanhando uma programação que transitou entre jazz e blues dialogando com experimentações e muita música brasileira.

Às 11h, na praça do Teatro Municipal de Guaramiranga, aconteceu o Café no Tom, com Nicolas Krassik. Ele contou histórias de sua carreira artística enquanto intercalava com a apresentação de algumas canções. O público compareceu, acompanhou atentamente a apresentação do violonista, interagiu com perguntas e aplaudiu em diversos momentos da apresentação.
No final da tarde, na escadaria da Igreja da Matriz, chegou a vez do Murmurando e Adelson Viana “De cá pra lá” e o espetáculo musical “Em Cenas” do Nicolas Krassik. A apresentação de Nicolas Krassik foi marcada por sucessos que vão de composições autorais até interpretações envolventes de Gilberto Gil e Dominguinhos. O público, que é bem diverso em faixa etária, chegou com pontualidade e foi se esparramando confortavelmente pela escadaria, demonstrou participação e entusiasmo com as apresentações desta tarde.

Já era noite quando os músicos recomeçaram as apresentações na Praça da Música. O primeiro a se apresentar foi Glauber Nocrato e Banda, seguido por Matheus Melo e Adauto Farias e Banda. Enquanto as apresentações aconteciam na praça da música, na frente do Teatro Municipal, a fila já se formava com o público das estrelas femininas da noite: Analu e Rosa Passos.
No relógio passava pouco mais de 21h, a chuva caía na cidade, quando a baiana, natural de Vitória da Conquista, Analu subiu ao palco do teatro trazendo um show íntimo e envolvente. Ela cantou sucessos e clássicos da música popular brasileira, da bossa nova e também canções autorais. O público fez coro em diversos momentos de sua apresentação, inclusive nas canções de Djavan.

Analu demonstrou delicadeza e romantismo em canções como “Se Eu Soubesse”, composição de Chico Buarque e hipnotizou, já quase no encerramento de sua apresentação, ao tocar as assalateiras (ou asalato/kashaka), que consiste em um instrumento de percussão africano composto por duas pequenas esferas preenchidas com sementes ou areia, unidas por um cordão, que criam ritmos através de batidas e cliques. Analu já se destaca em seu perfil nas redes sociais com vídeos utilizando esse instrumento. Durante a sua apresentação tocando as assalateiras, ela demonstrou grande capacidade rítmica e desenvoltura ao cantar “verdadeiro” trava-língua. O show se encerrou com uma versão percursiva feita em seu peito cantando “Bananeiras” e foi aplaudida de pé com energia e emoção.
A apresentação da renomada Rosa Passos começou cerca de meia hora após o show de Analu e parece ter pego o público já cansado, após um dia de maratona cultural, proporcionada pela programação deste primeiro dia. A banda que acompanhou a Rosa Passos, neste show, tocou de maneira margistral e harmônica. No entanto, a voz de Rosa Passos que já é marcada pela suavidade e delicadeza, não parece ter sido favorecida, uma vez que pareceu não ter a evidência merecida.

É possível que esse detalhe tenha deixado o show com menor potência de impacto auditivo para o canto da artista. Para quem esperava nitidez e destaque na audição das notas musicais emitidas pelo canto de Rosa Passos, recebeu um show da banda da cantora que brilhou muito, principalmente em momentos de improvisação à moda jazzística. Rosa Passos, antes mesmo do início de seu show, recebeu homenagens da organização do festival e foi celebrada como uma grande estrela de nossa música.
Além dos shows da programação, o primeiro dia também contou com as famosas jam sessions que entraram pela madrugada ao som de muita música, troca artística e improvisação musical.
Em resumo:
O primeiro dia parece indicar o tom da edição 2026, programação intensa e reafirmação de seu lugar como um dos encontros mais relevantes do jazz e do blues no Brasil.
Continue acompanhando a nossa cobertura de tudo o que está acontecendo no Festival Jazz & Blues de Guaramiranga 2026.
