Guaramiranga

O brilho mais forte deste dia foi das estrelas: Orquestra Cabulosa e Caetano Brasil: Juntos, eles entregaram a apresentação mais arrebatadora do festival, pelo menos até este momento

Por: Myrna Barreto, de Guaramiranga, especial para o BDD

Imagem: Fauzi Beydoun (do grupo famoso Tribo de Jah)  trouxe a Guaramiranga um trabalho elaborado especialmente para este evento (Foto: Eunilo Rocha)

No domingo de carnaval, segundo dia de festival de jazz e blues em Guaramiranga/CE, a programação diversa transformou desde o Teatro Municipal e seus arredores em um grande circuito cultural. Tivemos tanto formação como celebração da música através de oficinas, lançamento de livro e uma maratona de shows que conectaram jazz, blues e afins. No entanto, o brilho mais forte deste dia foi das estrelas: Orquestra Cabulosa e Caetano Brasil: Juntos, eles entregaram a apresentação mais arrebatadora do festival, pelo menos até este momento.

A programação começou cedo, às 9h30, no hall do Teatro Municipal, quando aconteceu a oficina “Bordando com o Jazz”, ministrada por Josy Maria Melo. A atividade propôs um diálogo entre artes manuais e música, explorando o jazz como inspiração estética para processos criativos.

Público na escadaria da Igreja da matriz a tarde de domingo. Crédito: Eunilo Rocha

Neste mesmo horário, uma outra realização do festival, desta vez na Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA), o Programa Música é para a Vida realizou a Oficina de Sensibilização Musical – Conhecendo o Repertório: Blues, conduzida por Lucas Bessa. Este evento ofereceu a oportunidade de aproximação de sonoridades, ampliação da escuta e do repertório cultural dos participantes.

Ainda não era meio-dia quando era hora da terceira atração do dia, o tradicional Café no Tom teve início às 11h, na Praça do Teatro Municipal de Guaramiranga, com Felipe Cazaux, Cláudio Oliveira e Roberto Lessa. O encontro também foi marcado pelo lançamento do livro “Shake That Thing: antropologia, história, significação e erotismo no blues”, do pesquisador Alexandre Rocha. Esta obra apresenta a investigação das dimensões culturais e simbólicas do blues, incluindo suas relações com o erotismo e a construção social da sexualidade.

O musico Caetano Brasil em ação (Foto: Myrna Barreto)

Na programação da tarde, às 14h, a AGUA voltou a sediar uma atividade formativa: a oficina “A Representação da Sexualidade no Blues”, ministrada por Alexandre Rocha. O encontro aprofundou o debate, iniciado no lançamento do livro, ao propor uma análise do blues como gênero musical que expressa desejos, tensões sociais e disputas simbólicas ao longo de sua trajetória histórica.

Voltando à programação musical, às 16h, a Escadaria da Igreja Matriz de Guaramiranga volta a ficar repleta com o público que se manteve atento e envolvido pelo espetáculo “Bossa, Reggae & Blues”, com Fauzi Beydoun (do grupo famoso Tribo de Jah). O vocalista do lendário grupo trouxe a Guaramiranga um trabalho elaborado especialmente para este evento. Ele realizou uma fusão que vai do blues ao reggae e demonstrou satisfação com o show, pois garantiu que o Blues teria sido uma paixão que surgiu desde muito cedo em sua vida. A segunda apresentação, realizada no palco montado no belo cenário mediante à escadaria da Igreja da Matriz, trouxe o Tributo aos Kings, com Felipe Cazaux, Cláudio Oliveira e Roberto Lessa que prestaram homenagem a grandes nomes do blues.

Orquestra Cabulosa e Caetano Brasil (Foto: Myrna Barreto)

A noite chega e a programação continua intensa. Na Praça da Música os trabalhos retomaram, às 18h, com o grupo Chorando na Calçada; na sequência, às 19h, é a vez de Mário Nogueira; e, às 20h, Juan Torquato assumiu o palco, consolidando a diversidade de linguagens presentes no festival.

Toda a programação até aqui seguia perfeitamente bem, mas surpresas ainda maiores estavam prestes a revelação. Às 21h, no Teatro Municipal de Guaramiranga, sobe ao palco Thiago Almeida Quinteto com o espetáculo “A Voz do Som”; mas a deliciosa e quente cereja do bolo foi mesmo a apresentação da Orquestra Cabulosa, que trouxe como convidado o excelente Caetano Brasil que abrilhantou com a sua performance especial. O show da Orquestra Cabulosa, grupo formado recentemente com integrantes majoritariamente de Fortaleza trouxe um trabalho consistente, bem executado e muito contagiante. A junção da potente expressão artística do claritinete Caetano Brasil com a Cabulosa deu um perfeito desfecho coletivo para esta segunda noite em Guaramiranga.

RESUMO: Muita coisa aconteceu neste domingo, aqui na cidade do Jazz e Blues. Vimos atividades de formação artística, lançamento de livro, apresentação de shows nos diversos palcos, mas o melhor foi mesmo a apresentação da Orquestra Cabulosa e o Caetano Brasil, e mais: não temo em dizer que este foi o melhor concerto que passou por esta edição, até agora.

O crítico musical Renan Simões esteve junto comigo acompanhando esse show e está elaborando um texto especial com as suas considerações técnicas e críticas sobre esse show. Acompanhem aqui o lançamento dos próximos textos sobre este evento. Até a próxima.