BDD no Jazz e Blues

As últimas apresentações ocuparam a Escadaria da Igreja Matriz, o Teatro Municipal e o circuito de concerto nas igrejas, são todos espaços simbólicos da cidade serrana

Por: Myrna Barreto, de Guaramiranga, especial para o BDD

Imagens: Eunilo Rocha

A edição 2026 do Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga chega ao seu desfecho reafirmando o seu posto de evento de sucesso e de encontros memoráveis entre tradição, formação, experimentação e celebração da música. As últimas apresentações ocuparam a Escadaria da Igreja Matriz, o Teatro Municipal e o circuito de concerto nas igrejas, são todos espaços simbólicos da cidade serrana.

A partir das 16h, a Escadaria da Igreja Matriz de Guaramiranga recebeu o Mosaico Musical, reunindo a Jazzera e o multi-instrumentista Moacir Bedê, que foi um dos homenageados desta edição. Em clima de retrospectiva e afirmação artística, Bedê revisitou momentos marcantes da carreira, costurando composições autorais e releituras com a maturidade de quem ajudou a consolidar a cena instrumental cearense.

Momi Maiga Quartet levou o som da kora ao teatro apresentando uma performance marcada por virtuose e sensibilidade

Na sequência, o palco ao ar livre foi tomado pela presença talvez do artista mais aguardado desta edição: Beto Guedes. Com um repertório que atravessa gerações, o artista mineiro entregou um show marcado pela força de suas canções e pela participação do público que cantou junto praticamente todo o seu setlist, transformando a escadaria em um grande coral que ecoou músicas memoráveis.

Beto Guedes também foi artista homenageado, recebendo minutos antes do início de seu concerto uma comenda comemorativa celebrando toda a contribuição artística e cultural à música brasileira. Para saber mais sobre o show de Beto Guedes acompanhe a publicação do texto de Renan Simões.

Seguindo a programação do dia, tem início às 21h, no Teatro Municipal de Guaramiranga o espetáculo “Chão”, com Adriano Azevedo e Miquéias dos Santos. A apresentação explorou texturas, silêncios e nuances da música instrumental nordestina contemporânea, criando uma atmosfera intimista que contrastou com a grandiosidade do palco.

O encerramento da noite ficou por conta do Momi Maiga Quartet, que levou o som da kora ao teatro apresentando uma performance marcada por virtuose e sensibilidade. Misturando tradições africanas a elementos do jazz contemporâneo, o grupo construiu um espetáculo vibrante, reafirmando o caráter internacional e plural do festival.

Na manhã, 17, chegou o momento do homenageado Cleivan Paiva apresentar o seu concerto em clima de reverência e reconhecimento. Em uma performance maturada artisticamente e com forte conexão com o público, Cleivan conduziu a plateia através de um repertório que evidenciou sua contribuição à música nordestina. O concerto funcionou como síntese de trajetória: técnica refinada, identidade sonora bem delineada e a emoção de quem ocupa o palco com a consciência de seu legado.

Beto Guedes: com um repertório que atravessa gerações, o artista mineiro entregou um show marcado pela força de suas canções

Entre celebrações históricas, encontros intergeracionais e experimentações sonoras, o último dia consolidou o Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga 2026 como um dos principais acontecimentos musicais do calendário cultural nordestino — e que certamente retornará em 2027 em sua 28ª edição. Até lá!