Killed By Deaf: A Punk Tribute To Motörhead – Vários
Gravadora— Murder One
Gênero — Punk
COTAÇÃO: ★★★☆☆ (BOM)
É um fato indiscutível que o Motörhead foi a banda que melhor apagou os limites entre o punk e o metal e fez com que fãs de ambos os gêneros atravessassem a rua e colocassem um pé no território do outro. Este tributo, comandado por alguns dos nomes mais destacados da cena punk, ressalta a urgência e a rústica desfaçatez do repertório da banda do imortal Lemmy Kilmister.

As versões que preenchem este álbum — surpreendentemente lançado por uma multinacional — são, em geral, bastante fiéis às originais e costumam aprofundar o caráter mais sujo do som do Motörhead, com exceção da versão de “Love Me Like A Reptile”, a cargo do Slaughterhouse, que, pela velocidade no estilo hardcore californiano e pela voz harmonizada de Meriel O’Conner, traz uma diferença refrescante. As demais versões são tão rudimentares quanto precisam ser e compartilham uma característica fundamental nesse ambiente sonoro: todas são tocadas com o coração e com verdadeiro amor pelo grupo homenageado.
O pódio poderia ser formado pelo que acontece nas seguintes versões: Casualties adicionando sujeira de rua a “The Hammer”. A irresistível “Born To Raise Hell” se transforma em uma grande festa nas mãos da Anti-Nowhere League. O espírito surf que o Lagwagon imprime a “Rock N’ Roll”. O The Bronx somando pirotecnia à grandiosa “Over The Top”. O Pennywise mostrando estar à altura de “Ace Of Spades”, com tudo o que isso significa, e dando espaço para o beat contagiante do Rancid, aplicado de forma genial em “Sex And Death”. Como corolário, fecha o disco “Neat Neat Neat”, a colaboração — agora nostálgica — entre The Damned e os próprios Motörhead.
“Killed By Deaf” pode ser definido como uma espécie de Real Book desse gênero a meio caminho entre o rock’n’roll, o metal e o punk, precisamente chamado Motörhead.
