Luto no cinema

Artista britânico construiu carreira de mais de seis décadas no cinema, na televisão e no teatro, eternizando personagens como o Professor Charles Xavier e o capitão Jean-Luc Picard

Por: Redação

O ator britânico Patrick Stewart, um dos nomes mais reconhecidos da cultura pop, morreu aos 86 anos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29) pela Associated Press (AP). Segundo um representante do artista, ele morreu na quarta-feira (28), em Los Angeles, após uma breve trajetória de adoecimento envolvendo Alzheimer e demência com corpos de Lewy.

Dono de uma carreira que atravessou mais de seis décadas, Stewart conquistou diferentes gerações de espectadores com atuações marcantes no teatro, no cinema e na televisão. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão o Professor Charles Xavier, da franquia “X-Men”, e o capitão Jean-Luc Picard, da série “Star Trek: A Nova Geração”.

Sua presença em cena, a voz grave e a formação teatral fizeram dele uma figura singular na interpretação de personagens que combinavam autoridade, inteligência e profundidade emocional.

Nascido em 13 de julho de 1940, em Mirfield, na Inglaterra, Patrick Stewart iniciou sua trajetória artística ainda jovem e construiu uma sólida carreira nos palcos antes de alcançar projeção internacional na televisão.

O teatro clássico ocupou um lugar central em sua formação. Ao longo dos anos, interpretou personagens de William Shakespeare, incluindo Macbeth e Cláudio, de “Hamlet”, consolidando sua reputação como ator de formação clássica.

A projeção mundial chegou em 1987, quando assumiu o papel de Jean-Luc Picard em “Star Trek: A Nova Geração”. Como capitão da nave USS Enterprise-D, Stewart conduziu a tripulação em histórias que abordavam exploração espacial, conflitos políticos, dilemas éticos e questões sobre a condição humana.

O personagem tornou-se um dos mais emblemáticos da franquia e voltou a ser interpretado pelo ator em filmes derivados da série e na produção “Star Trek: Picard”, lançada décadas depois.

Professor Xavier marcou o cinema de super-heróis

Outro papel fundamental em sua trajetória foi o de Charles Xavier, o Professor X, líder dos X-Men. Stewart estreou como o personagem em “X-Men”, de 2000, e voltou a interpretá-lo em diferentes produções da franquia.

A relação entre Xavier e Magneto, vivido por Ian McKellen, tornou-se um dos eixos dramáticos da série cinematográfica. Por meio do personagem, Stewart ajudou a levar ao grande público discussões sobre preconceito, convivência com as diferenças e disputas entre integração e resistência.

Sua participação em “Logan” (2017), ao lado de Hugh Jackman, apresentou uma versão envelhecida e fragilizada de Xavier, em uma abordagem mais intimista e melancólica do universo dos mutantes.

O ator também retomou o papel em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” (2022), ampliando a presença do personagem em diferentes narrativas da Marvel.

Apesar da fama internacional associada à ficção científica e aos filmes de super-heróis, Stewart nunca abandonou o teatro. Ao longo da carreira, participou de montagens no West End londrino e na Broadway, incluindo produções de “No Man’s Land”, de Harold Pinter, e “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, ao lado do amigo Ian McKellen.

Seu trabalho recebeu reconhecimento em diferentes áreas, com indicações a prêmios importantes da televisão, do cinema e do teatro. Em 2010, foi condecorado cavaleiro pela rainha Elizabeth II por seus serviços às artes dramáticas. <Cite refs={[“turn998339news5″,”turn998339search6”]}/>

A trajetória de Patrick Stewart atravessou diferentes gerações e linguagens artísticas. Dos palcos dedicados a Shakespeare às pontes de comando da Enterprise e às histórias dos mutantes da Marvel, o ator construiu um legado que ultrapassa seus personagens mais famosos.

Sua morte encerra uma carreira de grande alcance internacional, marcada pela capacidade de transitar entre o rigor do teatro clássico e o imaginário da cultura pop contemporânea.