Imagem: Ronald Biggs e Mike Biggs (Crédito: NBCUniversal/Divulgação)
A trajetória de Mike Biggs reúne dois universos aparentemente incompatíveis: a fama conquistada ainda na infância como integrante da Turma do Balão Mágico e a história familiar ligada a um dos crimes mais conhecidos da Inglaterra. Essa combinação é o ponto de partida de BIGGS BY BIGGS, documentário original do Universal+ que estreia em 6 de novembro.
Filho de Ronald “Ronnie” Biggs, um dos participantes do célebre assalto ao trem pagador britânico em 1963, Mike cresceu sob a atenção da imprensa e conviveu com as consequências da notoriedade do pai. No Brasil, tornou-se conhecido aos sete anos ao integrar a Turma do Balão Mágico, grupo infantil que vendeu cerca de 12 milhões de discos durante a década de 1980.
O documentário apresenta pela primeira vez a versão de Mike sobre essa história, explorando os conflitos entre a admiração pelo pai, a exposição pública e as consequências de uma relação familiar marcada por circunstâncias extraordinárias.
Com gravações em Londres, no Rio de Janeiro e em São José de Ribamar, no Maranhão, a produção acompanha diferentes momentos da vida de Mike e investiga como o passado de Ronnie Biggs continuou influenciando as escolhas do filho décadas depois.
“Ele é o melhor pai que eu poderia ter tido e ninguém pode me dizer o contrário”, afirma Mike no documentário.
Ronnie Biggs ganhou notoriedade internacional por sua participação no assalto ao trem pagador, ocorrido em 1963, na Inglaterra. Após ser condenado, fugiu da prisão e passou anos como fugitivo, até se estabelecer no Brasil, onde sua história também despertou interesse da imprensa.
Foi nesse contexto que Mike cresceu. Enquanto o pai se tornava uma figura conhecida por sua ligação com o crime, o filho conquistava o público brasileiro por meio da música infantil.
A participação na Turma do Balão Mágico colocou Mike em evidência em uma fase de grande popularidade do grupo. O sucesso artístico, porém, coexistia com uma realidade doméstica incomum, que o documentário procura examinar sem limitar a narrativa à biografia criminal de Ronnie.
A produção também recupera episódios da infância e da adolescência, incluindo o sequestro de Ronald Biggs, quando Mike tinha seis anos. Segundo o documentário, a experiência contribuiu para fortalecer um vínculo de dependência emocional entre pai e filho, influenciando a maneira como Mike passou a compreender seu papel dentro da família.
Ao recordar a própria criação, ele resume o ambiente em que cresceu com uma mistura de ironia e franqueza: “Sou filho de uma stripper com um assaltante de trem. Meu padrinho era um falsificador de quadros e a minha madrinha, uma atriz pornô”.
A narrativa avança para a adolescência de Mike no Rio de Janeiro, período marcado por festas, liberdade e convivência com personagens pouco convencionais. Mais tarde, já adulto, ele se mudou para a Inglaterra e passou quase uma década tentando obter o perdão da Justiça britânica para o pai, que estava preso e debilitado.
“Fui criado para ser filho do meu pai. Ele era a única coisa que eu tinha”, relata.
A dedicação a Ronnie, entretanto, também teve consequências para a vida pessoal de Mike. Ao revisitar sua trajetória, ele confronta os efeitos dessa relação sobre o próprio papel como pai, especialmente a distância que se estabeleceu entre ele e suas filhas.
Esse conflito conduz um dos momentos mais íntimos do filme. De volta a Londres, Mike desmonta a casa onde viveu com a família e revisita objetos e lembranças que ajudam a reconstruir sua história. Durante o processo, conversa com a ex-mulher e as filhas, encarando questões que permaneceram abertas por muitos anos.
A experiência de esvaziar a residência se transforma, assim, em uma tentativa de reorganizar a própria memória e compreender os limites entre lealdade familiar, identidade e responsabilidade.
“Tenho muito orgulho de ser um Biggs. Tenho orgulho da história que ele construiu, apesar de não ter orgulho do que ele fez”, afirma.
Documentário reúne relatos sobre a história dos Biggs
Além do depoimento central de Mike, BIGGS BY BIGGS conta com participações de Ritchie, Chris Pickard, Steven Berkoff, Nick Reynolds, Keith “Dickie” Finch, James “Jim” Shreim, Raimunda Broquet — mãe de Mike —, DJ Zé Pedro e Renan Cepeda.
Os entrevistados contribuem com diferentes perspectivas sobre a trajetória da família, a exposição pública e os desdobramentos de uma história que atravessou gerações.
Para Marcello Coltro, gerente-geral no Brasil e vice-presidente de Distribuição, Marketing e Produções Originais na América Latina da NBCUniversal International Networks & DTC, além de produtor executivo do longa, o projeto reforça o investimento da plataforma em documentários nacionais.
Segundo ele, a trajetória de Mike combina acontecimentos extraordinários com uma dimensão humana que permite abordar questões familiares e pessoais para além da notoriedade de Ronnie Biggs.
Ao deslocar o olhar do assalto ao trem pagador para a experiência de quem cresceu sob o peso dessa história, BIGGS BY BIGGS propõe uma reflexão sobre herança familiar, fama e as marcas deixadas por decisões que ultrapassam a vida de seus protagonistas.
Serviço
- Documentário: BIGGS BY BIGGS
- Estreia: 6 de novembro de 2026
- Plataforma: Universal+
- Tema: A trajetória de Mike Biggs, sua relação com Ronnie Biggs e a experiência como integrante da Turma do Balão Mágico.
