A trajetória de Vandal foi construída a partir de uma relação particular com o rap e com as manifestações culturais de Salvador. Pioneiro na incorporação de referências do grime e do drill à cena baiana, o artista agora amplia essa pesquisa em VANGUARDAH, seu primeiro álbum, que também ganha uma edição física em vinil translúcido, acompanhada de um zine dedicado à construção da identidade visual do projeto.
Com dez faixas, o disco tem direção musical de Russo Passapusso, que também participa de “SONÄNBULOH”. A parceria aproxima Vandal do maestro Ubiratan Marques e da Orquestra Afrosinfônica, responsáveis por acrescentar novas camadas sonoras ao trabalho.
A edição em vinil amplia a dimensão física de VANGUARDAH e dialoga diretamente com a concepção visual desenvolvida para o álbum. O zine que acompanha o LP reúne imagens relacionadas ao processo de construção da identidade do projeto, complementando a experiência do disco para além das plataformas digitais.
VANGUARDAH parte de dois eixos conceituais. O primeiro está relacionado à fé e à afetividade, especialmente à influência de Santa Dulce dos Pobres e de Dona Neusa, avó de Vandal, responsável por sua criação.
O álbum foi lançado em 13 de agosto, data dedicada a Santa Dulce dos Pobres entre os católicos, e é dedicado às duas mulheres que o artista aponta como fundamentais para sua formação.
“Sou devoto de Santa Dulce dos Pobres. Junto com a minha avó, ela é a maior referência de vida. Essas duas mulheres moldaram o meu pensamento. Sou um menino criado por vó, vivi minha vida com ela”, explica.
O segundo eixo está ligado à própria trajetória musical de Vandal. Ao longo das dez faixas, o rapper incorpora ao seu trabalho elementos de gêneros e tradições que fizeram parte de sua formação, como o samba-reggae e a música afro-sinfônica.
A proposta estabelece uma relação direta com as festas de largo da Bahia, manifestações em que referências religiosas convivem com música, dança e outras expressões da cultura popular.
“Não sou como os MCs convencionais – e não falo isso de uma forma soberba. Não venho da escola de rap norte-americano ou das batalhas de freestyle”, afirma Vandal. “Minha escola musical foram as festas de largo, minhas primeiras letras eu escrevi para as bandas de pagode dos meus amigos e meus primeiros palcos foram os das festas de largo, com trilha sonora de lambada, arrocha, axé music, samba-reggae e samba duro.”
Uma capa construída de forma artesanal
A identidade visual de VANGUARDAH também faz parte da narrativa do álbum. Vandal assina, ao lado de Phodismo, a direção criativa do projeto, que utiliza imagens e elementos associados ao universo religioso.
A produção dessas imagens, porém, seguiu um caminho artesanal. O artista recorreu à Cerâmica São Francisco, tradicional fábrica familiar de imagens sacras localizada no bairro de Valéria, em Salvador.
A partir de um molde desenvolvido pelo escultor e tatuador William, os artesãos-chefes Francisco Castro e Cristina Cerqueira produziram as imagens do artista utilizadas na capa.
O processo ganha registro no zine que acompanha a edição em vinil, revelando parte da construção visual do primeiro álbum.
VANGUARDAH dá sequência a uma trajetória iniciada por Vandal com as mixtapes TIPOLASVEGAZH MIXTAPEH, de 2015, e PHODI$MO MIXTAPEH, VOL. 1, de 2021.
Agora, o artista reúne em um único trabalho diferentes referências que atravessam sua formação e sua trajetória no rap. O resultado combina a linguagem do grime e do drill com elementos do samba-reggae e da música afro-sinfônica, reforçando a relação do rapper com a cultura musical baiana.
A participação de Russo Passapusso é central nesse processo. Além da direção musical e da presença em “SONÄNBULOH”, o músico aproximou Vandal do maestro Ubiratan Marques e da Orquestra Afrosinfônica.
O álbum também reúne participações de KlJay, Liz Reis, Hiran, Josyara, Giovani Cidreira, suhhh, Paulo Pitta, Colibri e Livia Nery.
Tracklist
- AVEIROZH
- VANGUARDAH
- PONTOH DEH REVOLTAH
- AH VERDADEH DAH CIDADEH
- AVEMARIAH
- ANJOH BOMH DAH BAHIAH
- SUPEREH
- RÉQUIEMH PARAH UMH SONHOH
- MULHEREZH DAH MINHAH VIDAH
- SONÄNBULOH
A chegada de VANGUARDAH ao formato de vinil translúcido, acompanhada pelo zine, acrescenta uma dimensão física a um álbum concebido desde o início como um projeto que articula música, memória, religiosidade e identidade visual. Para Vandal, o primeiro disco não apenas reúne diferentes referências de sua trajetória, mas também materializa uma visão própria sobre o rap e suas possibilidades.
