Imagem: A cantora e pianista Cida Moreira (Mimo/Divulgação)
A programação da tarde de sábado do festival Mimo começou com uma roda de conversa com a cantora Cida Moreira. No bate-papo, ela contou mais detalhes sobre a sua amizade com Angela Ro Ro e como foi planejar esse show homenagem. Cida conversou por mais de uma hora e se mostrou crítica ao mercado da música atual e dona de um humor irônico sobre temas corriqueiros do universo musical, como ser independente ou ser alternativa. Ela ironiza questionando:”Alternativo a quê ou a quem?”. Para saber mais sobre esta roda de conversa acompanhe o nosso material exclusivo que preparamos.
Seguindo a programação da tarde do sábado, tivemos, às 17h, na igreja de São Pedro, a apresentação do pernambucano João Gaspar. Às 18h, na igreja do mosteiro de São Bento, foi a vez do duo de frevo entre flauta e piano com Cesar Michiles e Romero Medeiros.
Chegando a noite, a programação nos chama à Praça do Carmo. Foi lá que Alice Caymmi apresentou o que seria um dos melhores shows da noite, em homenagem ao seu avô, Dorival Caymmi. Ao assistir a este show, a sensação era a de que tudo parecia estar no lugar certo e sem perder a aura da espontaneidade. O figurino, o gestual da cantora, que, por muitas vezes, remetia a uma deusa; o desenho de luz ampliava a plasticidade que se traduzia no palco e a voz grave assinatura da família Caymmi estava lá e brilhando! Showzaço!
A seguir, os cabos verdianos do Ferro Gaita subiram ao palco e apresentaram toda a musicalidade do funaná, ritmo musical e dança tradicional de seu país, ritmo esse que foi inclusive perseguido durante o período colonial.
Já passava das 22h30 quando o grupo Tinariwen subiu no palco da Praça do Carmo e cativou o público com a sua sonoridade mântrica. O público parecia hipnotizado pelos artistas, talvez começando pela atração possível do visual, com vestimentas que cobriam os músicos praticamente da cabeça aos pés, e organizados no palco em linha horizontal por cinco músicos que se revezavam nos vocais e tocavam baixo, violão e guitarra. Deixando mais atrás apenas o percussionista. Eles dançavam e se aproximavam do público em movimentos que geravam conexão. O público respondeu a tudo isso, inclusive doando, mesmo da plateia, bandeira da Palestina, camiseta de time de futebol e até guia de orixá. Tinariwen demonstrou neste show que a linguagem musical é universal e a conexão palco-plateia é possível nos mais diversos panoramas.
Já estávamos na madrugada do domingo quando DJ Reborn subiu ao palco e colocou o seu set list para jogo, combinando hip-hop, soul, funk, R&B, jazz, reggae e sonoridades afro-diaspóricas. Não é por acaso que ela é reconhecida como a DJ oficial da turnê mundial da cantora Ms. Lauryn Hill. A noite finalizou de maneira vibrante.
