Imagem: BaianaSystem com Mãe Beth de Oxum, no Mimo 2026 (Myrna Barreto/BDD)
O primeiro dia de programação, sexta, dia 25 de setembro, começa com a artista recém-premiada Gabriele Leite. Ela apresentou toda a sua competência, com um show intimista, na Igreja do Carmo. O show começou por volta das 18h; era fim de tarde e a atmosfera estava perfeita para o brilho dos acordes, a ginga e toda a densidade sonora executada. Gabriele acabou de receber o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira 2026, na categoria de Melhor Lançamento Erudito, pelo álbum “Gunûncho”. Então, não preciso dizer muito para tentar explicar o porquê do frisson em torno desta artista.
Seguindo na programação do dia e para chegar no próximo show, o jeito foi enfrentar as ladeiras de Olinda, em busca do Mosteiro de São Bento, para assistir Cida Moreira com o espetáculo “Me acalmo danando”, em homenagem à sua amiga Angela Ro Ro. Às 20h, com a igreja lotada, Cida Moreira dá início à sua apresentação marcada pela densidade de sua voz e piano. Ela traça o percurso do show, passeando sem floreios por clássicos como “Amor meu, grande amor”, “Me acalmo danando” e “Só nos resta viver”. O resultado da junção apoteótica do repertório da Ro Ro com a execução da Cida Moreira não podia ser outro: sucesso total!

Cida Moreira ainda se apresentava na Igreja do Mosteiro de São Bento quando o Samba de Coco Raízes de Arcoverde já agitava no palco da Praça do Carmo. Eles trouxeram a beleza e a tradição da dança do coco, potencializadas pelo som hipnótico da percussão expressiva. A artista e rapper portuguesa Capicua subiu ao palco em seguida e apresentou toda a potência de sua poesia. No relógio, já passava das 22h e o público presente lotava cada metro quadrado da praça do Carmo. Esse público parecia já ter objetivo certo, e esse certamente era a BaianaSystem.
A banda baiana sobe ao palco por volta da meia-noite, e não surpreende por ser competente naquilo que vem conseguindo entregar nos últimos anos, que é um espetáculo que une palco e plateia numa simbiose catártica de grandes proporções. O show da baiana contou com participações especiais de artistas pernambucanos, o que, na minha perspectiva, deu a esse show a cara de ser realmente algo único, como, por exemplo, o som afroascentral trazido pela participação da Mãe Beth de Oxum, mas também com a presença do punk rock do Alto Zé do Pinho, com a participação do vocalista do Devotos, “Canibal”, que, junto à malemolência gingada da baiana, fez tudo soar como uma perfeita fusão Bahia/Pernambuco.
A primeira noite do Mimo, em Olinda, apresentou em sua programação um recorte interessante envolvendo novos nomes para o público local, como a Gabriele Leite e Capicua, mas também abriu espaço para atração do tipo arrasa-quarteirão como no caso da BaianaSystem, já consagrada em grandes programações da música, mas sem perder o olhar para os que vieram antes, como Cida Moreira, e à tradição do Samba de Coco, com os artistas de Arcoverde, em Pernambuco.
