Às vésperas de retornar ao Brasil com o Foo Fighters, Dave Grohl abriu espaço para falar sobre carreira, família, perdas e a relação especial que mantém com o público brasileiro. O músico foi entrevistado por Carolina Cimenti para o Fantástico, em conversa realizada no dia 10 de agosto, pouco antes de subir ao palco em Cleveland, nos Estados Unidos. A entrevista foi exibida no último domingo (30).
O Foo Fighters é uma das principais atrações do Rock in Rio 2026 e se apresenta nesta sexta-feira (4), em uma das noites mais aguardadas da edição deste ano.
Durante a conversa, Grohl revisitou o início de sua trajetória profissional e lembrou o impacto que o Nirvana provocou no começo dos anos 1990. Na época, o músico ainda não imaginava que tocar bateria poderia se transformar em uma carreira de alcance mundial.
“Quando eu comecei a tocar, eu nunca pensei que isso se tornaria uma carreira. Aí, o Nirvana explodiu e nossas vidas se transformaram.”
O sucesso chegou de maneira tão rápida que, olhando para trás, o músico brincou sobre o que diria ao jovem Dave Grohl antes da fama:
“Eu provavelmente diria que você nunca vai acreditar no que vai acontecer.”
A música na família Grohl
A entrevista também chegou à nova geração da família. Violet Grohl, filha mais velha do músico, estreou recentemente na carreira musical com o álbum Be Sweet to Me, lançado em 2026.
Orgulhoso, Dave contou que a vocação musical da filha não chegou exatamente como uma surpresa.
“Essa é uma boa história. Eu sabia que a Violet seria musicista desde que ela tinha quatro anos.”
A relação entre música e família levou a conversa até outro momento importante da vida do artista: a mãe, Virginia Grohl, que morreu em 2022.
Questionado sobre a existência de algum assunto que prefere não abordar em entrevistas, Dave respondeu que gosta de conversar com as pessoas e relacionou essa característica à mãe.
“Na verdade, não. Gosto de conversar com as pessoas. É uma das coisas que herdei da minha mãe.”
Música para lidar com a perda
O ano de 2022 foi particularmente difícil para Grohl. Além da perda da mãe, o músico também enfrentou a morte de Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters e um de seus grandes amigos.
A música acabou novamente ocupando um papel fundamental no processo de lidar com o luto.
“Com certeza [a música me ajudou], a maneira como consigo de certa forma colocar os meus sentimentos pra fora e me expressar sempre foi através da música.”
A declaração resume uma característica que acompanha Grohl desde os primeiros anos de sua carreira: transformar experiências pessoais em música e encontrar nos palcos uma forma de comunicação que ultrapassa as palavras.
“No Brasil acontecem nossos maiores shows”
E se existe um lugar onde essa comunicação costuma ganhar proporções especiais, para Dave Grohl é o Brasil.
Ao falar sobre o retorno ao país e a apresentação no Rock in Rio, o vocalista não economizou nos elogios à energia do público brasileiro.
“É insano! No Brasil acontecem nossos maiores shows.”
Grohl também destacou a capacidade da música de reunir pessoas e apontou justamente a energia brasileira como um dos elementos que tornam as apresentações no país tão particulares.
“Essa é uma das coisas lindas da música: ela realmente une as pessoas. E o Brasil, a energia que tem lá… vai ser uma loucura total.”
Com uma carreira que atravessa Nirvana, Foo Fighters, projetos paralelos e mais de três décadas de história no rock, Dave Grohl retorna ao país carregando não apenas um dos repertórios mais populares do rock contemporâneo, mas também uma relação construída ao longo de sucessivas passagens pelo Brasil.
Nesta sexta-feira, no Rock in Rio, essa história ganha mais um capítulo — diante de um público que, nas palavras do próprio músico, costuma transformar os shows do Foo Fighters em alguns dos maiores de sua trajetória.
