A história da Acunha Produções começa com música, atravessa diferentes linguagens artísticas e tem como ponto de partida uma cidade do interior do Rio Grande do Norte.
Em 2020, em Mossoró, o produtor cultural César Guimarães esteve à frente da produção, no Brasil, de um concerto do duo português Modulatus Project. O trabalho acabou representando mais do que a realização de um espetáculo: foi o ponto de partida para a criação de uma estrutura profissional que daria forma a uma experiência que César já acumulava havia anos.
Nascia, naquele momento, a Acunha Produções.
A empresa foi criada oficialmente em 2020, mas a trajetória de César na produção cultural é anterior, especialmente a partir de trabalhos desenvolvidos na Paraíba. A criação da produtora significou a organização dessa experiência em torno de uma atuação profissional que, desde o início, buscou atravessar diferentes áreas da economia criativa.
De lá para cá, a Acunha ampliou seu campo de atuação e construiu um catálogo que passa por música, literatura, shows, videoclipes, registros audiovisuais e cinema.
E os números ajudam a dimensionar esse percurso: são mais de 100 trabalhos musicais produzidos e lançados nas plataformas digitais, entre singles, EPs e álbuns.

Mais de 100 trabalhos musicais
A música é um dos principais pilares da Acunha.
Ao longo de sua trajetória, a produtora participou da produção e do lançamento de mais de uma centena de trabalhos musicais, além de atuar na realização de shows e outros projetos relacionados à cadeia produtiva da música.
Entre os artistas e projetos que já passaram pela produção estão Symmara Fèrnandes, Emiliano Pordeus, Elas Cantam Brega, RIS, Duo Manga Jazz, Iury Matias, Modulatus Project, Alzinete di Oliveira, Gabriela Mendes, De vez em quando, florescer, Beto Sousa — ex-integrante do Trio Nordestino —, Banda Mexe e Ville, Marcelo Koelho e Zezito Doceiro.
A diversidade de nomes também revela a amplitude da atuação da produtora. São diferentes estilos, trajetórias e propostas artísticas reunidos por uma mesma necessidade: transformar uma obra em algo capaz de circular.
Por trás de cada lançamento existe uma cadeia de trabalho que nem sempre aparece para quem simplesmente aperta o play.
Planejamento, organização, produção, distribuição, comunicação e acompanhamento fazem parte de um processo que começa muito antes de uma música chegar às plataformas digitais.
É justamente nesse espaço que a Acunha vem construindo sua identidade.

Produzir é criar caminhos
As plataformas digitais modificaram profundamente a relação entre artistas e público. Hoje, gravar uma música e disponibilizá-la mundialmente tornou-se tecnicamente mais acessível. Mas fazer com que essa obra seja organizada, distribuída e encontre seus caminhos continua exigindo planejamento.
Nesse cenário, a produtora funciona como uma espécie de ponte.
A Acunha trabalha para transformar projetos artísticos em produtos culturais capazes de circular, conectando artistas às ferramentas necessárias para colocar suas obras em movimento.
A mesma lógica aparece na produção de shows e espetáculos. O trabalho que acontece nos bastidores envolve pessoas, equipamentos, cronogramas, logística, comunicação e uma série de decisões que precisam funcionar para que, diante do público, tudo pareça simples.
É nesse território — muitas vezes invisível — que uma produtora cultural exerce boa parte de sua função.

A literatura entra em cena
A atuação da Acunha, porém, não ficou restrita à música.
A literatura também passou a integrar o catálogo da empresa, em projetos envolvendo autores e obras literárias.
Entre os nomes ligados a essa frente estão Symmara Fèrnandes, César Guimarães, Maria Isabel e Emiliano Pordeus.
O próprio fundador mantém uma trajetória autoral e atualmente trabalha na conclusão de um novo livro.
A presença da literatura reforça uma característica que acompanha a Acunha desde sua criação: a compreensão da cultura como um território que não precisa ser dividido em compartimentos.
Música, literatura, audiovisual e outras linguagens podem dialogar, compartilhar estruturas e encontrar novos públicos.
Do videoclipe ao cinema
O audiovisual foi outro caminho naturalmente incorporado à trajetória da produtora.
A Acunha participou da realização de videoclipes, registros de shows e projetos audiovisuais de diferentes dimensões.
Entre os trabalhos estão os videoclipes de “Florescer” e “Pixote”, de Symmara Fèrnandes; “Pescador de poesia”, de Emiliano Pordeus; e “Reggae do alvorecer”, da banda paraibana Hamurabii.
Também faz parte desse percurso o projeto “De vez em quando, florescer”, que reúne dois shows autorais gravados em momentos distintos: o primeiro realizado na Paraíba, em 2023, e o segundo no Rio Grande do Norte, em 2025.
A proposta acrescenta outra dimensão ao trabalho de produção: registrar aquilo que acontece no palco.
Um show termina quando as luzes se apagam, mas o registro audiovisual permite que aquela experiência continue circulando e encontre pessoas que não estavam presentes no momento da apresentação.
Agora, a Acunha dá mais um passo nesse caminho.
A produtora participa da produção executiva do filme “O lado invisível da festa”, de Ênio Marques, realizado em Sousa, na Paraíba.
A chegada ao cinema amplia o horizonte da empresa e representa uma nova etapa dentro de uma trajetória que começou com um concerto e foi se expandindo para diferentes formatos de produção cultural.
O lado invisível da cultura
Existe uma espécie de paradoxo na produção cultural: quanto melhor funciona, menos ela aparece.
Quando um show acontece sem problemas, uma música chega corretamente às plataformas, um videoclipe é lançado ou uma obra audiovisual fica pronta, o público geralmente vê o resultado — não o caminho percorrido até ele.
Mas produzir é justamente construir esse caminho.
É articular profissionais, artistas, equipamentos, recursos, espaços, cronogramas e estratégias. É lidar com imprevistos e, ao mesmo tempo, preservar a essência da proposta artística.
A trajetória da Acunha foi construída nesse lugar.
A produtora nasceu de uma experiência concreta e transformou essa experiência em uma forma de trabalho aplicada a diferentes artistas, linguagens e formatos.
“Acunha” como atitude
Existe ainda uma particularidade no próprio nome da empresa.
“Acunha”, no falar popular nordestino, pode carregar sentidos associados a expressões como “bora!”, “cuida!”, “vamos!”, “anda!” ou “chega junto!”.
Mais do que uma palavra, carrega uma ideia de movimento.
E talvez seja justamente aí que o nome encontre sua melhor tradução para o trabalho desenvolvido pela produtora.
Acunha é uma atitude.
É o impulso para tirar um projeto do lugar, organizar aquilo que ainda está disperso e criar condições para que uma ideia se transforme em obra.
Nesse sentido, o nome escolhido por César Guimarães estabelece também uma conexão direta com sua origem regional. A produtora nasceu no Rio Grande do Norte, ampliou sua atuação para outros territórios e mantém no próprio nome uma expressão carregada de oralidade e identidade nordestina.
Uma história em movimento
Se 2020 marcou oficialmente o nascimento da Acunha Produções, os anos seguintes foram de expansão.
Vieram os lançamentos musicais, os shows, os projetos literários, os videoclipes, os registros audiovisuais e, agora, o cinema.
Mais de 100 produções musicais depois, a empresa continua trabalhando com artistas e projetos que muitas vezes nascem em contextos locais, mas carregam potencial para alcançar públicos muito além de suas cidades de origem.
De Mossoró para outros territórios, a Acunha vem construindo uma trajetória baseada em uma ideia simples, mas fundamental para a cultura: uma obra precisa circular para encontrar seu público.
No fim, a história da produtora também é a história dos bastidores.
Dos profissionais que organizam enquanto o artista cria. Das pessoas que fazem uma gravação acontecer, um show sair do papel, um livro chegar ao leitor ou um filme ganhar forma.
E talvez seja justamente por isso que o significado popular de “Acunha” combine tão bem com a trajetória construída até aqui.
