Lançamento

Musicalmente, o disco transita pelo hard rock, grunge e punk, mantendo no centro um forte senso melódico. É um trabalho guiado pelas guitarras, mas que não abre mão das nuances emocionais. A proposta é fazer com que peso e sensibilidade não sejam tratados como opostos, mas como partes de uma mesma identidade.

Por: Redação

Há quem enxergue o rock como sinônimo de força, distorção e atitude. Para Lucas Ferraz, porém, essas características podem dividir espaço com algo igualmente poderoso: a vulnerabilidade. É justamente desse encontro que nasce “Riffs & Love”, segundo álbum de estúdio do artista brasileiro radicado em Luxemburgo, que chega às plataformas digitais em 7 de novembro de 2026, reunindo 11 faixas inéditas construídas entre guitarras intensas, paixão, desejo, amor e conflitos emocionais.

O título já entrega a essência do trabalho. De um lado, os riffs representam impacto, instinto, agressividade e libertação. Do outro, o amor aparece como conexão, desejo e exposição emocional. Em vez de escolher entre uma dessas forças, Ferraz decide colocá-las frente a frente — e descobrir o que acontece quando elas passam a ocupar o mesmo espaço.

“Riffs & Love é a melhor maneira de descrever meu estilo de composição — e também os dois lados que existem dentro de cada ser humano. A agressividade dos riffs, misturada a histórias de amor e paixão, forma o coração deste álbum”, explica Lucas Ferraz, ao Bolsa de Discos.

Musicalmente, o disco transita pelo hard rock, grunge e punk, mantendo no centro um forte senso melódico. É um trabalho guiado pelas guitarras, mas que não abre mão das nuances emocionais. A proposta é fazer com que peso e sensibilidade não sejam tratados como opostos, mas como partes de uma mesma identidade.

Entre o amor e o conflito

A dualidade que atravessa “Riffs & Love” também aparece na capa, criada pelo artista Alexandre Rex. A imagem de duas irmãs siamesas funciona como representação visual da tensão entre amor e ódio — duas forças distintas, mas permanentemente conectadas.

A metáfora resume bem o universo do álbum. Ternura e agressividade, entrega e conflito, desejo e frustração podem existir simultaneamente dentro de uma mesma pessoa. E é justamente essa complexidade que Ferraz transforma em canção.

As 11 faixas percorrem diferentes estados emocionais. A abertura, “Red Fate”, parte de uma energia ritual e de uma força ancestral ligada ao Candomblé. Já “The Crow” mergulha em uma atmosfera grunge para contar a história de alguém confrontado com a infelicidade provocada pelas próprias escolhas — tudo isso em um inusitado compasso 7/4.

Em “I’m Insane”, segundo single do projeto, o peso das guitarras acompanha a sensação de ser enganado e, mesmo assim, continuar amando. “Paranoia” assume uma perspectiva ainda mais íntima ao reproduzir os pensamentos de alguém atravessando um episódio paranoico.

Há espaço também para o risco e a celebração da vida em “Invite the Demons”, que começa com um choro brasileiro composto e executado por Ferraz ao violão clássico, antes de se transformar em uma reflexão sobre os perigos de viver intensamente. A faixa foi composta em parceria com Daniel Fastro.

“On Fire”, primeiro single do álbum, lançado em junho, representa o lado mais imediato e incendiário do projeto. Guitarras urgentes de rock ’n’ roll se encontram com um arranjo de metais formado por trompete, trombone e saxofone barítono, criando uma combinação que amplia a sonoridade sem diminuir sua intensidade.

Um álbum sobre diferentes formas de amar

Se existe uma palavra capaz de atravessar “Riffs & Love” de diferentes maneiras, ela é amor. Mas Ferraz não trata o sentimento de forma única ou idealizada.

“Universe in Your Hands”, por exemplo, é uma carta aberta ao filho Guilherme e traduz o amor permanente e incondicional de um pai. Em “Blood”, o amor aparece dentro da complexidade de um casal que enfrenta as pressões de criar os filhos e manter uma família unida diante das dificuldades da vida.

“Cigarette” retorna ao território do desejo e da paixão, desta vez sob uma atmosfera marcadamente grunge, em parceria com Paulo Silva. E, no encerramento, “Now You’re Gone”, com participação de Régis Rolando na lap steel, revisita a dor do fim de uma relação e a sensação de perder um amor considerado único e insubstituível.

Entre elas, “One Life” propõe uma reflexão sobre a própria mortalidade: temos apenas uma vida e, enquanto celebramos cada novo dia, também estamos consumindo um dos dias que nos restam.

É essa capacidade de transitar entre o visceral e o afetivo que dá ao álbum sua personalidade.

De Salvador para Luxemburgo

“Riffs & Love” também carrega uma dimensão importante na trajetória de Lucas Ferraz. Natural de Salvador, na Bahia, o artista vive em Luxemburgo e atua há mais de uma década na cena musical do país europeu.

O álbum foi produzido pelo próprio Ferraz em parceria com seu colaborador de longa data, Tadeu Mascarenhas. As principais sessões aconteceram na Casa das Máquinas, em Salvador, enquanto vozes e guitarras adicionais foram registradas no estúdio particular do artista em Luxemburgo.

O processo conecta dois pontos fundamentais de sua história: a cidade brasileira onde sua formação musical começou e o país europeu que se tornou a base de sua carreira solo.

Ao lado de Ferraz, o álbum reúne Martin Mendonça nas guitarras, Larriri Vasconcelos no baixo, Alan Abreu na bateria e Tadeu Mascarenhas nos teclados. Em “On Fire”, João Teoria (trompete), Fernando Rocha (trombone) e Kiko Souza (saxofone barítono) completam a formação com um arranjo de metais que adiciona novas cores ao rock do artista.

Um momento de projeção internacional

O lançamento de “Riffs & Love” acontece depois de um período especialmente movimentado na carreira de Ferraz. Em 8 de julho de 2026, o músico subiu ao palco do LuxExpo Open Air, em Luxemburgo, como atração de abertura para Lenny Kravitz, diante de aproximadamente 10 mil pessoas.

A apresentação integrou uma temporada de verão que também passou por eventos como Made in Luxembourg, Blues Express, Rock N’ Owl e Blues ’n’ Jazz Rallye.

A trajetória internacional de Ferraz inclui ainda apresentações e participações ao lado de nomes importantes do rock mundial, entre eles Slash featuring Myles Kennedy & The Conspirators, Deep Purple, The Hollywood Vampires, Steel Panther, Jane’s Addiction, Marcus King, Airbourne, Steve Lukather e Richie Kotzen.

“Riffs & Love” dá continuidade ao caminho iniciado em seu primeiro álbum solo, “Demons in My Head”, de 2023, seguido pelo EP “LOVE”, de 2025, e pelo registro ao vivo “Demons in My Head – Live in Luxembourg”, lançado em 2026.

O próximo capítulo será no palco

Depois de chegar às plataformas digitais em 7 de novembro, “Riffs & Love” ganhará sua apresentação oficial ao vivo no dia 14 de novembro, no Opderschmelz, em Dudelange, Luxemburgo.

A promessa é transportar para o palco a mesma dualidade que conduz o álbum: força e intimidade dividindo o mesmo espaço, com o peso característico do rock e um momento acústico especial dentro do show.

Mais do que um álbum sobre riffs ou sobre amor, “Riffs & Love” parece interessado naquilo que acontece quando os dois se encontram. É um disco sobre pessoas que amam, desejam, perdem, se frustram, sentem raiva, têm medo e continuam seguindo em frente.

Nas palavras do próprio Ferraz:

“Este disco fala sobre aceitar que nunca somos feitos de uma coisa só. Podemos carregar amor e raiva, força e vulnerabilidade, às vezes exatamente no mesmo momento.”

E talvez essa seja a melhor definição para o segundo capítulo de sua carreira solo: um disco em que a guitarra grita, mas as histórias confessam.