Antes de tudo, esclareço que a observação defendida no artigo não é absoluta, não vale para todas as mulheres, mas sim para a maioria. Logo, não precisa do comentário: “eu sou mulher e gosto”. Eu sei que vocês existem, e graças a Deus existem.
Nunca houve proporcionalidade entre cantoras de rock e mulheres fãs de rock. Quase a totalidade dos grupos de rock e suas variantes é formada por homens, sendo pequena a percentagem de bandas formadas por mulheres ou tendo mulheres à frente, como The Runaways, 4 Non Blondes, L7 e Heart.
Já na plateia a proporcionalidade é maior. Quantas mulheres vocês já viram no palco da Cervejaria Cabocla? Quantas vocês veem no meio do público? Pois é, isso vale daqui até o Rock in Rio. Mulheres também gostam de rock, com exceção de uma de suas variantes. Um estilo específico parece não atrair o gosto feminino.
O assunto é abordado no livro “Na Trilha do Pop”, de Kelefa Sannen, crítico musical da revista New Yorker. O autor dedica algumas linhas ao assunto a partir de um depoimento antigo do baterista Bill Bruford: “Durante toda a nossa carreira, as mulheres geralmente teimavam em passar bem longe da gente. Nós éramos obcecados pela técnica e equipamentos, mas desinteressados por canções de amor”.
O autor reitera as palavras do baterista do Yes: “O rock progressivo era conduzido por visionários, cujos maiores fãs não eram universitários afetados, e sim jovens animados que se esgoelavam nas arquibancadas. Jovens homens, para ser mais preciso”.
Por outro lado, bandas de glam rock ou hair metal, como Europe, Bon Jovi, Mötley Crue, Guns N’Roses, Warrant e Skid Row, pareciam atrair mais o público feminino do que o masculino. Inclusive, muitos homens, de forma pejorativa, classificam essas bandas como “rock farofa”.
