Declaração

Em entrevista ao The Independent, o tecladista Nick Rhodes, único integrante presente desde a fundação da banda, revelou que o Duran Duran esteve muito perto de acabar nos anos 1980

Por: Redação

Poucas bandas conseguiram atravessar tantas transformações na indústria da música quanto o Duran Duran. Quase 50 anos após sua formação em Birmingham, o grupo continua lotando arenas e mantendo uma influência que atravessa gerações. Em entrevista ao The Independent, o tecladista Nick Rhodes, único integrante presente desde a fundação da banda, revelou que o Duran Duran esteve muito perto de acabar nos anos 1980 — e que um conselho de Mick Jagger, dos Rolling Stones, foi decisivo para mudar esse destino.

Segundo Rhodes, durante um período de instabilidade vivido pelo grupo, Jagger foi direto ao ponto.

“Mick olhou para mim e disse: ‘Vocês realmente precisam permanecer juntos. Esse é o futuro de vocês’.”

O músico admite que, sem aquele conselho, o Duran Duran poderia ter encerrado suas atividades muito antes de consolidar seu legado.

A escolha de ficar longe das drogas

Outro aspecto marcante da entrevista foi a maneira como Rhodes encarou o universo do rock. Apesar de conviver com artistas que fizeram das drogas parte da rotina, ele afirma que nunca se identificou com esse estilo de vida.

“Minha mente já funcionava rápido demais. Nunca consegui desacelerar, então a última coisa que eu queria era um monte de drogas.”

O tecladista conta que chegou a experimentar algumas substâncias, mas percebeu rapidamente que aquilo não combinava com sua personalidade. “Também gosto de manter o controle. Nunca me agradou a ideia de tomar algo sem saber exatamente o que iria acontecer.”

David Bowie, o grande mentor

Muito antes de se tornar amigo de David Bowie, Rhodes era apenas um adolescente de Birmingham que sonhava em seguir carreira artística. O ídolo estampava as paredes de seu quarto e foi responsável por despertar sua paixão pela música.

Mais tarde, os dois desenvolveram uma amizade que o músico descreve com carinho.

“David era um grande amigo, extremamente inteligente e muito engraçado. Gostava dele porque nunca decepcionava.”

A influência de Bowie também aparece na estética que marcou o Duran Duran desde o início da carreira.

A chegada de Simon Le Bon

Rhodes também relembrou o momento em que conheceu Simon Le Bon, após uma série de testes frustrados com outros vocalistas.

Segundo ele, bastou ouvir a primeira nota para saber que havia encontrado a voz definitiva da banda.

“Quando ele entrou e cantou a primeira nota, pensei: ‘É ele’.”

Para Rhodes, Le Bon possuía o mesmo tipo de carisma natural encontrado em nomes como Mick Jagger, David Bowie e Freddie Mercury.

Moda como parte da música

Conhecido por manter o visual sofisticado desde os tempos do movimento New Romantic, Nick Rhodes revelou que continua pintando o cabelo de loiro porque acredita que “as pessoas subestimam os loiros”. Já o tradicional delineador permanece parte da rotina diária.

“Leva uns dez minutos. Você olha no espelho e pensa: ‘Estou com cara de cansado’. Aí passa um pouco de delineador e esconde tudo.”

Outro hábito curioso permanece inalterado: Rhodes nunca usa jeans.

“Para mim, jeans representam preguiça. Nunca gostei do corte.”

O artista por trás dos sintetizadores

Muito além da imagem sofisticada, Nick Rhodes foi um dos pioneiros na utilização dos sintetizadores como instrumento principal dentro do pop e do rock. Ele compara seu equipamento a uma orquestra completa.

“Posso tocar flautas, violinos, tambores, criar texturas e construir os arranjos das músicas.”

Essa abordagem ajudou a definir a identidade sonora do Duran Duran e influenciou inúmeras bandas de synth-pop, new wave e rock alternativo.

Quase meio século de legado

Com mais de 100 milhões de discos vendidos, o Duran Duran permanece como uma das bandas britânicas mais bem-sucedidas da história. A combinação entre inovação sonora, produção visual sofisticada e um forte senso estético fez do grupo um dos maiores símbolos da música pop dos anos 1980 — e um nome que continua relevante quase cinco décadas depois de sua criação.

Para Nick Rhodes, boa parte dessa longevidade pode ser resumida em um conselho dado por Mick Jagger há cerca de 40 anos: permanecer juntos. Uma decisão que mudou a história da banda e garantiu que o Duran Duran continuasse escrevendo novos capítulos na música mundial.