Discão

Depois do sucesso dos dois primeiros discos, que apresentavam uma sonoridade fortemente influenciada pelo ska, reggae e dancehall, o Skank decidiu ampliar seus horizontes musicais. Em O Samba Poconé, o grupo mergulhou em uma proposta mais sofisticada, incorporando elementos do pop, rock, MPB, música latina, soul e da música regional brasileira, sem perder a identidade que conquistara o público desde o início da carreira

Por: Redação

Em 1996, o rock brasileiro ganhava um de seus álbuns mais importantes da década. Lançado há 30 anos, “O Samba Poconé”, terceiro trabalho de estúdio do Skank, marcou uma virada definitiva na carreira do quarteto mineiro e consolidou a banda como um dos maiores fenômenos da música brasileira dos anos 1990.

Depois do sucesso dos dois primeiros discos, que apresentavam uma sonoridade fortemente influenciada pelo ska, reggae e dancehall, o Skank decidiu ampliar seus horizontes musicais. Em O Samba Poconé, o grupo mergulhou em uma proposta mais sofisticada, incorporando elementos do pop, rock, MPB, música latina, soul e da música regional brasileira, sem perder a identidade que conquistara o público desde o início da carreira.

DISCO DE VINIL SKANK - O SAMBA POCONÉ - POSSUI MICRO RISCOS - ROCK NACIONAL

O resultado foi um álbum extremamente diverso, que se transformaria no maior sucesso comercial da banda.

Produzido por Dudu Marote em parceria com o próprio Skank, o disco apresentou uma sonoridade mais refinada e abriu espaço para arranjos elaborados, guitarras marcantes, metais, percussões brasileiras e melodias que rapidamente conquistaram as rádios de todo o país.

Entre seus maiores destaques está “Garota Nacional”, canção que extrapolou as fronteiras brasileiras e se tornou um dos maiores sucessos da história da banda. A música ganhou forte execução em rádios internacionais e chegou à programação da MTV norte-americana, feito raro para um grupo brasileiro na época. Seu refrão contagiante e o groove característico ajudaram a apresentar o Skank ao mercado latino e europeu.

Outro grande êxito foi “É Uma Partida de Futebol”, composição que transformou o universo do futebol em uma celebração da paixão nacional. Lançada em um período de grande entusiasmo com o esporte no país, a música tornou-se presença constante em transmissões esportivas, estádios e eventos ligados ao futebol, permanecendo até hoje como um dos maiores hinos esportivos da música brasileira.

“Tão Seu” revelou o lado mais romântico do grupo. A balada, conduzida pela voz de Samuel Rosa e por uma melodia delicada, tornou-se um dos maiores sucessos radiofônicos da década e consolidou a capacidade do Skank de transitar entre diferentes estilos sem perder personalidade.

Além dos singles, O Samba Poconé apresentou outras faixas marcantes, como “Zé Trindade”, “Sem Terra”, “Os Exilados”, “Conquista” e “Los Pretos”, evidenciando a riqueza musical e composicional do quarteto formado por Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti.

O próprio título do álbum desperta curiosidade. “Poconé” faz referência ao município mato-grossense conhecido por sua forte ligação com o Pantanal. A escolha do nome reforça o espírito brasileiro presente no disco, embora as canções não formem um álbum conceitual. A mistura de referências culturais e musicais ajudou a criar uma identidade única para o trabalho.

Com vendas superiores a um milhão de cópias, O Samba Poconé recebeu certificação de disco de diamante e tornou-se o álbum mais vendido da carreira do Skank. O sucesso também impulsionou uma longa turnê nacional e internacional, consolidando a banda como um dos principais nomes do pop rock brasileiro.

Mais do que um enorme êxito comercial, o disco representou a maturidade artística do grupo. A partir dele, o Skank passou a investir em composições cada vez mais sofisticadas, caminho que seria aprofundado em trabalhos posteriores como Siderado (1998) e Maquinarama (2000).

Três décadas depois, O Samba Poconé continua sendo uma referência da música brasileira dos anos 1990. Suas canções permanecem presentes em rádios, plataformas de streaming e nos shows da banda, comprovando que o álbum conseguiu atravessar o tempo sem perder a força.

Ao completar 30 anos, o disco reafirma seu lugar entre os grandes clássicos do rock nacional e permanece como o trabalho que levou o Skank a um novo patamar artístico e popular, transformando quatro músicos mineiros em protagonistas de uma das histórias mais bem-sucedidas da música brasileira.