No litoral norte de Santa Catarina, onde as ondas costumam ditar o ritmo, surge um barulho diferente e necessário. Formada em abril de 2025, a banda Contestado chega ao cenário autoral provando que o Thrash Metal ainda é a ferramenta mais afiada para a crítica social e o resgate da memória histórica. O grupo, que se apresenta no formato trio, destila um som que bebe diretamente da fonte de gigantes como Sepultura, Kreator e Machine Head, mas com um tempero regional que o torna único e prepara novo projeto.
Atualmente, o grupo está em fase de maturação em estúdio. Embora já circulem com demos e pré-produções que atestam o vigor da banda no underground, um novo single está em fase final de mixagem e produção de arte. O anúncio oficial deve ocorrer nas próximas semanas, prometendo consolidar a banda como uma das vozes mais autênticas da música autoral catarinense.
O nome não foi escolhido ao acaso. A Guerra do Contestado, conflito que marcou o Sul do Brasil no início do século XX, serve como o eixo central da proposta estética e ideológica do grupo. Através de suas letras, a banda explora a memória histórica e os modos de vida contemporâneos, transformando a música em um ato de resistência e pensamento crítico.
O cartão de visitas dessa trajetória é o single “Gears of Hell”, lançado em 2026. A faixa é uma síntese perfeita do que a Contestado propõe: uma base sólida de Thrash Metal com nuances de Groove. A letra utiliza a metáfora de um ambiente industrial — com suas engrenagens e correntes — para retratar a exploração e o desgaste no mundo do trabalho contemporâneo.
Mas nem tudo é pessimismo. Assim como no conflito histórico que lhes dá nome, a música da Contestado também fala sobre a ruptura e o enfrentamento. O “inferno” aqui não é um conceito abstrato, mas uma construção social que a banda convida o ouvinte a questionar.
A “cozinha” e as cordas da banda são operadas por músicos experientes da cena underground catarinense: Gabriel (baixo e vocal), Lasanha (guitarra) e Casarin (bateria). A formação em trio garante uma execução direta e enxuta, focada na intensidade sonora e na entrega visceral durante as apresentações ao vivo, onde a comunicação com o público é prioridade.
