Na noite em que a música potiguar celebrou suas raízes e suas novas rotas, um nome ecoou com o peso de três décadas de história. O cantor, compositor e multi-instrumentista Moisés de Lima foi o grande vencedor da categoria Letrista/Compositor na 24ª edição do Prêmio Hangar, realizada na última terça-feira (14), no Teatro Alberto Maranhão (TAM). O troféu não é apenas um reconhecimento ao seu último trabalho, mas um selo de qualidade em uma das trajetórias mais consistentes da cena independente do Rio Grande do Norte.
Nascido em Natal, Moisés é o legítimo “operário da música”. Sua jornada começou no final dos anos 80, forjada no calor das bandas de garagem e na crueza do blues e do rock clássico. Autodidata por essência, ele dominou as cordas e, principalmente, a gaita — instrumento que se tornou sua extensão no palco.
Ao longo dos anos, emprestou seu talento a grupos que ajudaram a desenhar o mapa sonoro da cidade, como Florbela Espanca e GRM Blues Band. Entre 1999 e 2017, à frente d’Os Grogs, Moisés viveu momentos icônicos, como a vitória no Festival MPBeco com a visceral “Natal Canibal”. Hoje, ele equilibra sua energia entre os grupos The Anthologics e Revolution 5, provando que o frescor criativo não tem data de validade.
A maturidade trouxe a Moisés a urgência de falar em nome próprio. Sua carreira solo, iniciada em 2024, já rendeu frutos densos. O EP Afrika (via Lei Paulo Gustavo) abriu caminho para o aclamado EP Black In (2025), produzido pelo selo Ícone Mudernage. Com quatro faixas que fundem blues e afrobrasilidades, o trabalho rendeu as indicações de Melhor EP e Melhor Canção, culminando na vitória como melhor compositor da noite de terça-feira.
“É na composição que a música ganha vida. É quando melodia, ritmo e harmonia se encontram e se transformam em expressão”, declarou o artista, visivelmente emocionado com o reconhecimento de seus pares e da crítica especializada.
📍 O que vem por aí
Prepare os ouvidos: a partir de junho de 2026, Moisés de Lima inicia a turnê do projeto “Black In”. A proposta promete ser um deleite para os amantes do audiovisual e da música ao vivo, colocando a sonoridade da gaita diatônica no centro de uma identidade que mistura a raiz do blues com a percussividade brasileira.
Dica BDD: Se você quer entender o que é “música com alma”, Moisés de Lima é a audição obrigatória do mês. Ouça o EP Black In prestando atenção nas letras; há ali uma crônica urbana e existencial que poucos conseguem lapidar com tanta precisão.
