Após quase uma década celebrando o repertório que moldou o caráter de gerações, o baterista Marcelo Bonfá confirmou, em entrevista ao jornal Zero Hora, o fim de sua longa e vitoriosa parceria de palco com o guitarrista Dado Villa-Lobos. O anúncio coloca um ponto final — ao menos por ora — no projeto que, desde 2015, mantinha viva a chama da Legião Urbana nos estádios do país.
Segundo Bonfá, o projeto que culminou na turnê “As V Estações” já havia ultrapassado o prazo de validade planejado. O músico revelou que o fim era para ter ocorrido antes, mas a estrutura gigantesca que cercava a dupla — descrita por ele como uma “corporação cheia de gente” — acabou estendendo a jornada por mais um ano.
Entretanto, o peso da estrada e a convivência intensa trouxeram à tona o que Bonfá chamou de “incompatibilidades ideológicas e afins”. O resultado é um afastamento que, embora melancólico para os fãs, parece ter sido o único caminho para preservar a integridade artística de ambos. “A gente meio que está afastado”, sentenciou o baterista, deixando claro que o limite foi atingido.
Apesar do encerramento desta fase, Marcelo Bonfá não pretende guardar as baquetas. O músico segue focado em sua carreira solo e, especialmente, na divulgação de sua autobiografia em quadrinhos, intitulada “Minha Banda Preferida de Todos os Tempos”. É uma forma de revisitar o passado sob sua própria ótica, sem o peso das estruturas corporativas que cercam os grandes revivals.
Para o colecionador e o fã de rock nacional, fica o registro de um ciclo que soube honrar a obra de Renato Russo com dignidade técnica e emocional. O fim da dupla Dado e Bonfá marca o encerramento de uma era de “arenas”, mas abre espaço para que a história da Legião retorne ao seu lugar de direito: o de um mito inabalável nas prateleiras e na memória afetiva.
