Hoje, 13 de fevereiro, é dia de celebrar um dos timbres mais reconhecíveis da história do rock. O baixista Peter Hook completa 70 anos como uma verdadeira instituição do pós-punk — um músico que reinventou o papel do baixo e transformou linhas graves em protagonistas melódicos.
Cofundador do Joy Division e, depois, do New Order, Hook ajudou a construir duas das bandas mais influentes do final do século XX. Se o pós-punk foi marcado por atmosferas sombrias, minimalismo e tensão emocional, muito disso passa pelo seu instrumento tocado nas regiões mais altas do braço, criando melodias cortantes que dialogavam diretamente com a guitarra e os sintetizadores.
Em clássicos como “Love Will Tear Us Apart”, do Joy Division, o baixo não apenas sustenta — ele conduz. Já em “Blue Monday”, do New Order, Hook atravessou a fronteira entre o rock e a música eletrônica, participando da construção de um dos singles mais emblemáticos das pistas alternativas dos anos 1980. Seu estilo ajudou a consolidar a fusão entre guitarras e batidas eletrônicas que definiria o som da banda em álbuns como Power, Corruption & Lies e Technique.
Do luto à reinvenção
Após a morte de Ian Curtis em 1980, o Joy Division encerrou suas atividades, mas Hook e os colegas decidiram seguir adiante. Nascia o New Order, que trocou parte da melancolia crua por experimentação eletrônica, sem perder a identidade. O baixo de Hook permaneceu central: pulsante, melódico, emocional.
Em 2007, após divergências internas, Hook deixou o New Order. Longe de encerrar a trajetória, ele iniciou um novo capítulo com o Peter Hook & The Light, projeto com o qual revisita na íntegra álbuns do Joy Division e do New Order em turnês internacionais. Mais do que nostalgia, trata-se de um resgate histórico executado por quem esteve no coração da criação.
Influência que atravessa gerações
A forma como Hook elevou o baixo à linha de frente influenciou incontáveis bandas do indie rock ao alternativo contemporâneo. Sua abordagem — usar o instrumento quase como uma guitarra barítono, explorando acordes, efeitos e protagonismo melódico — virou escola.
Além dos palcos, Hook também registrou sua história em livros de memórias, nos quais narra bastidores intensos das duas bandas e os excessos da cena de Manchester. Sua relação com a lendária boate Haçienda, da qual foi sócio, também ajudou a moldar a cultura musical britânica dos anos 1980 e 1990.
Aos 70 anos, Peter Hook não é apenas um baixista comemorando aniversário. É um capítulo vivo da história do rock. Seu som — agudo, urgente, emocional — continua ecoando em caixas de som, fones de ouvido e novos palcos ao redor do mundo.
